sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Timor Leste: temos carros do Estado, temos casa do Estado, o povo sofre, continuamos a receber dinheiro, o povo passa fome

UMA HISTORIA EM 8 CAPITULOS:

Capitulo 7

(Leia os Capitulos anteriores publicados mais abaixo)

Povo sofredor

Membros da FRETILIN

Em política, quando nós erramos, mesmo sendo um pequeno erro, mas se não reconhecermos que é um erro, voltaremos a cometer muitos e maiores erros. Porque não se reconhece que entre 1975 e 1978, a FRETILIN matou membros da própria FRETILIN e outros que não aceitavam a sua ideologia, hoje em dia, para a liderança da FRETILIN, matar não é problema. Matar, para eles, uma pessoas ou duas, ou dez, ou centenas, ou milhares, é matar. O importante para eles é que o partido seja forte, para que governem sempre.

Um Partido assim, é um Partido que não quer a democracia, um partido que quer impor a sua vontade a todos nós.

Eu respeito a FRETILIN porque a FRETILIN me ensinou a amar a Terra e a servir o Povo.

Todo o Povo respeita a FRETILIN, porque a FRETILIN faz parte da História de Timor-Leste. Mas, o Povo tem de desprezar as pessoas que querem acabar com este Partido, para fazer todo o Povo sofrer.

Estas pessoas não merecem estar na FRETILIN. Penso que outros Partidos não os hão-de receber, porque estas pessoas querem sugar o sangue do Povo, querem ver o sofrimento do Povo, para poderem governar sempre, para estarem bem. O Partido que os acolher, o Povo tem de ter cuidado, porque este Partido talvez mais tarde tenha sede e peça o sangue do Povo.

Rogério deixou de ser ministro, Mari promoveu-o a Vice-Presidente da FRETILIN. Faz-nos sentir vergonha por esta política suja. Rogério foi ao Quartel da Polícia pedir combustível para o carro que ainda tem. O Responsável pela Logística da PNTL disse-lhe: o Sr. já não é Ministro do Interior, não pode receber combustível da PNTL. Rogério respondeu insultando-o: Macaco, eu agora sou mais do que Ministro, tu sabes ou não?

No dia 28 de Novembro de 2002, pedi para que ele fosse demitido, porque todas as informações diziam que, em vez de fazer o seu trabalho, organizava o povo, para cortar a lenha, para ele vender, plantar mandioca, para ele vender, fazer o vinho, que ele há-de vender, pescar, que ele há-de vender. Eu falei com o Mari, como Primeiro-Ministro e com o Ministro Horta, na minha casa, antes de 28 de Novembro de 2002, sobre o Rogério. Mais tarde, porque pedi para ele ser demitido, eu é que errei e quando aconteceu o 4 de Dezembro, apontaram-me o dedo.

Todos sabem sobre os buracos que foram cavados em Tibar, também noutros locais, porque Rogério andava à procura de ouro/tesouro, que ele ouviu dizer que os japoneses haviam enterrado. Nós não nos devemos admirar com as atitudes que o Rogério toma. Enquanto estávamos em guerra e sofríamos na nossa Terra, Rogério, enquanto ministro da Defesa, viveu em Angola e aproveitou para traficar diamantes até ser detido numa prisão. E a FRETILIN, por causa do seu nome Lobato, ou porque algumas pessoas se sentiram afectadas, elegeram-no como Vice-Presidente da FRETILIN.

Na tomada de posse do Ministro do Interior, apertei-lhe a mão e disse-lhe: "Rogério, não esperes que eu te respeite, só por teres o nome Lobato. Nicolau também era Lobato, mas era Nicolau, tu chamas-te Rogério. Respeitar-te-ei, se a tua atitude me revelar que mereces respeito, mas não é por seres Lobato". Alguns investidores procuram encontrar-se comigo e disseram: "Presidente, o vosso sistema é muito diferente, para investir no vosso país, há duas vias: uma, temos de contactar a Agência de Investimento sob a tutela do Ministro Rogério, ou, a segunda, através de langsung (taxa indirecta) paga às altas entidades.

Empresários timorenses disseram com tristeza: Presidente, já tenho a licença para a minha empresa mas sofremos pressão para fazer entrar algum dinheiro na FRETILIN. Eu perguntei-lhe "querem que eu fale?", e eles responderam "Irmão, nós esperamos muitos anos, perdemos muito dinheiro, deixa-nos recuperar o nosso dinheiro".

Companheiros membros da FRETILIN

Querido Povo sofredor

Por isso, como Presidente da República, que não aceitou o resultado do Congresso realizado de 17 a 19 de Maio passado, exijo à Comissão Política Nacional da FRETILIN, que organize imediatamente um Congresso Extraordinário para, em conformidade com a Lei nº 3/2004, sobre os Partidos Políticos, eleger uma nova Direcção do Partido. Quando digo, em conformidade com a Lei, isso significa alterar a 'votação de braço no ar' dos Estatutos da FRETILIN, para que a eleição da nova Direcção, seja por voto directo e secreto. Dou um prazo de uma semana, para que este Congresso Extraordinário seja feito, porque a actual Direcção da FRETILIN é ilegítima.

O Presidente da FRETILIN, Lu-Olo, Vice-Presidente da FRETILIN, Rogério Lobato e o Secretário-Geral da FRETILIN, Dr. Mari Alkatiri, todos eles, de acordo a Lei dos Partidos Políticos, são ilegítimos.

Não se pode dizer que a FRETILIN não tem dinheiro, porque a FRETILIN tem muito dinheiro.

Até o dinheiro que sobrou do Congresso, Rogério comprou dois carros para o Grupo de Rai Lós.

Eu posso discutir a Crise com a Nova Direcção, mas cabe ao Estado decidir. Porque não é a FRETILIN que errou mas sim os que têm olhos grandes para o dinheiro e a enorme ambição para cavalgar sobre as costas do povo.

O que é o Estado de Direito democrático? O artigo 1º da Constituição afirma: "A República Democrática de Timor-Leste é um Estado de direito democrático ... baseado no respeito pela dignidade da pessoa humana". Hoje em dia, nós falamos de 'guerra', de 'derramamento de sangue', e esquecemos a tolerância política. Os governantes demonstram que não têm respeito pela dignidade de cada pessoa, consentindo a violência e a destruição, causando mortes e perdas de bens.

O artigo 6º da Constituição afirma: "O Estado tem como objectivo fundamental: b) Garantir e promover os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e o respeito pelos princípios do Estado de direito democrático; alínea c) defender e garantir a democracia política". Nesta crise, só ouvimos ameaças de toda a ordem. Os governantes vão contribuindo para a violação destes objectivos do próprio Estado.

No artigo 29º da Constituição, afirma-se que: "nº 1 – A vida humana é inviolável; nº 2 – O Estado reconhece e garante o direito à vida".

O que é que constatamos? Permite-se que as pessoas disparem umas contra as outras, pessoas são mortas, o povo sofre. Os governantes ajudam a violar a obrigação do Estado, não cumprem o seu dever de garantir a cada cidadão o direito à vida.

É a conjugação de tudo isto que dá sentido ao 'Estado de direito democrático'.

O Povo agora enfrenta um problema muito sério: há armas nas mãos dos civis, há disparos de armas em muitos lugares. E também quero informar que as Forças de Intervenção apreenderam já muitas armas que não são da PNTL nem das F-FDTL.

O Estado não pode consentir isto, este sofrimento para o Povo. Algumas pessoas reclamam que 'estamos a perder a nossa soberania'. Não é porque as Forças Internacionais tenham entrado na nossa terra, mas perdemos a nossa soberania porque nós é que fizemos o pedido e sobretudo porque nós é que demonstramos não ter capacidade para resolver os problemas surgidos, criando problemas ainda maiores.

O Estado de direito democrático não é só os órgãos de soberania estarem juntos, rirem-se uns com os outros, aparecerem na TV, dizerem aos jornais que nós estamos juntos. A Unidade Nacional não é encostarmo-nos uns aos outros para mostrar os nossos dentes ao povo. A Unidade Nacional, para ser consistente, tem de passar pelos nossos pensamentos e as nossas acções, tem de passar por ouvir a voz do nosso povo e ouvir os seus lamentos. Nós, os governantes, esquecemos sempre que: o povo pode sofrer, nós estamos bem, temos carros do Estado, temos casa do Estado, o povo sofre, continuamos a receber dinheiro, o povo passa fome, nós convidamo-nos uns aos outros para comer bem, beber vinho, o povo teme os tiros e nós andamos com uma forte segurança.

Por isso, não costumamos ouvir o lamento do povo porque estamos afastados de vós. O Povo está a sofrer, alguns têm a coragem de dizer "Guerra!". Em vez de nós, os governantes, termos vergonha, mostramos que o sofrimento do povo não toca a nossa pele.

O Estado não pode consentir isto. O Estado não pode consentir que haja armas ilegais no nosso país. Acredito que a FRETILIN também não pode consentir todas estas coisas. Se a FRETILIN consentir, a FRETILIN quer fazer uma nova história neste querido país.

De quem é a responsabilidade? A justiça há-de determinar de quem é a responsabilidade! Todas estas coisas são muito graves! E é isso que hoje preocupa o Povo! E a própria FRETILIN tem de se preocupar com isso.

Por isso, APELO a todos que hoje ainda empunham armas, que as entreguem às Forças Internacionais e informem quem as distribuiu. Vocês não têm culpa, porque foram enganados por outras pessoas para se enterrarem. Se não entregarem essas armas, se as Forças Internacionais as encontrarem, isso significa que vocês querem guardar essas armas para matarem pessoas. Melhor, todos aqueles que receberam armas, vão entregar de imediato às Forças Internacionais. Não se esqueçam, têm de dizer quem as entregou a vós e para quê.

Já foi iniciado o Inquérito sobre a distribuição de armas a civis, assim como para saber que armas ilegais existem, de onde vieram e para quem, quem as pediu, quem as recebeu, quem na Alfândega as deixou sair. Todos os vossos nomes hão-de ser divulgados.

Aqueles que controlam a FRETILIN, ultimamente, gostam de gritar assim: vigilância máxima.

Agora, chegou o momento de eu pedir ao povo para fazer vigilância séria nos Distritos e Subdistritos, sobre aqueles que têm armas e distribuíram armas aos delegados ou a outras pessoas. Se sabem ou vêm pessoas com armas, mas que já as esconderam, informem as Forças Internacionais para eles as apreenderem, se estas pessoas não quiserem entregá-las. Se entregarem imediatamente, podem regressar a casa. Se forem teimosas, se escondem ou enterram as armas, hão-de responder perante o Tribunal, acerca da missão para a qual receberam a arma, e o motivo por que a esconderam, para matar quem.

Timor Leste: «Português não é questão polémica», diz Xanana Gusmão

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou hoje que a língua portuguesa «não é uma questão polémica» no país e que «a mudança de governo não afecta absolutamente a relação com Portugal».

Xanana Gusmão falava à imprensa no final de um encontro com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português, João Gomes Cravinho, que decorreu em simultâneo com uma reunião do Conselho de Ministros timorense.

«Há problemas muito maiores sobre os quais nos debruçamos», declarou Xanana Gusmão, antes de regressar à sala onde o IV Governo Constitucional discutia, desde manhã, o programa final a apresentar ao Parlamento.

«Mesmo que o currículo comece com o português nos bancos da escola, nós temos segmentos de sociedade em que uns falam português, outros inglês, outros tétum, outros bahasa. Esse é o nosso problema», explicou Xanana Gusmão.

«Temos que olhar que há uma geração toda em Timor que nasceu no tempo indonésio e só sabe bahasa. Como resolver esse problema? Sempre dissemos que a reinserção do português aqui é uma questão de tempo», disse.

«Os indonésios estiveram aqui 24 anos», acrescentou Xanana Gusmão, sublinhando que «não se pode imaginar que se consegue realizar uma reintrodução do português em cinco anos».

«É preciso responder a questões pontuais, actuais, em termos de educação», referiu Xanana Gusmão, dando um exemplo: «Por que é que o representante da Câmara Municipal de Lisboa foi inagurar a estrada, que eu pedi, para uma escola e a directora falou em tétum e pediu desculpas por não falar português - porque não aprendeu a língua?»

Xanana Gusmão recordou que Timor-Leste tem «poucos professores, que não chegam, com má qualidade, e ainda não há cursos de professores, além do da Diocese de Baucau».

«São questões de educação e de desenvolvimento. Não se coloca a língua em termos de problema», concluiu.

Diário Digital / Lusa

31-08-2007

Timor Leste: FRETILIN não quis ouvir, ignorou. mesmo que o povo sofra não é problema deles, nem que o povo morra, não é problema deles.

UMA HISTORIA EM 8 CAPITULOS:

Capitulo 6

(Leia os Capitulos anteriores mais abaixo)

Companheiros

A grande História dos que têm sede de sangue ainda é uma longa história. Porque, em todos os lugares, aparecerem pequenos comandantes espalhados por todo o Timor, fazendo barulho, para aterrorizar as pessoas. Algumas pessoas, talvez do Departamento de Comunicação do Comité Central, enviaram 'sms' para os delegados, para os administradores.

Mas, com a ânsia, marcaram mal o número e todos receberam o 'sms' pedindo para levar "10.000 pessoas desse distrito, 5.000 de outro distrito, para apoiar o camarada Lu-Olo e camarada Mari".

Hoje, se queres ser funcionário, ou ministro, tens de te preparar para matar a tua própria alma, porque o dólar despiu os princípios que, porventura, ainda pudesse ter, nós não sabemos.

Vemos muito bem, estas pessoas brincam com o sofrimento do povo, usam o povo para defender a sua cadeira, o seu nome e o seu bolso.

No Relatório da CAVR pede-se o FIM DA VIOLÊNCIA POLÍTICA, para que o povo não sofra uma vez mais. Ainda recentemente, em Janeiro passado, fui entregar este Relatório ao Secretário-Geral da ONU. Ainda mal se completaram seis meses, disparos de armas, incêndios, pessoas mortas em Dili.

Um jovem em Lospalos, chamou-me traidor, porque não defendo um tribunal internacional. Hoje, ele não está sossegado, está todo envaidecido em Lospalos acreditando que a FRETILIN tem armas para fazer a guerra.

Eu fui a Lospalos no ano passado e falei com eles, e disse que a FRETILIN tem de pedir desculpa. Enviaram de imediato um 'sms' ao Mari. No meio de uma reunião, Mari mostrou-me esse 'sms' e parecia contente porque a sua rede de informações do partido está espalhada por todo o Timor para informar sobre as conversas do Presidente ou as actividades da oposição.

Pude dizer a este jovem, que eu, agora, não quero ser mais um traidor do Povo. Porquê? Quando o Tribunal iniciou os julgamentos de crimes que estão a ser cometidos pedi aos Tribunais para considerarem se podiam esvaziar as Prisões de Becora, Baucau e Ermera para receber os novos hóspedes. Neste momento, todos aqueles apenas cometeram crimes menores comparando com o que está a acontecer agora. Crime contra o estado de Direito Democrático, crime contra o Povo que já sofreu durante a guerra, durante 24 anos. Becora, Baucau e Ermera hão-de receber diversos hóspedes, muitos corruptos que hão-de lá ir e têm de ir para lá.

A Comissão Internacional de Investigação irá chegar, para nos ajudar a todos, para avaliar esta violência política que assolou o nosso país. Tudo quanto a CAVR fez e transmitiu, para escutar o choro do povo, o que o povo pede, as exigências do povo, para os políticos não fazerem sofrer mais o povo, para evitar a violência política, tudo isso, a liderança da FRETILIN não quis ouvir, ignorou. A liderança da FRETILIN demonstrou que, este choro, não lhes diz respeito, este chorar, não é problema deles, mesmo que o povo sofra não é problema deles, nem que o povo morra, não é problema deles. O grande problema para eles é como manter-se no Governo. A liderança da FRETILIN, por causa da sua arrogância, só sabe é acusar outras pessoas e não são capazes de reconhecer que também erram. Para eles, não há erros, porque o que fazem tem um objectivo: governar.

Só devem pensar em guerra para governar, porque governar dá-lhes tudo, dinheiro, boa casa noutro país, negócios que lhes dão dinheiro e ao partido também, mas o partido para eles é o pequeno grupo que está a governar. O Povo está a sofrer em Dili, não foram ainda ver o Povo, nem foram ainda falar com o Povo. Só se preocupam é em mobilizar pessoas do interior, para demonstrar que toda a FRETILIN curva-se perante eles, para lhes beijar as mãos e os pés. O Povo que se mobiliza para os apoiar, coitado, talvez andem de carro sem pagar, para gritar 'Viva este, Viva aquele', e depois de serem alimentados regressam às suas casas, continuam a cavar a terra, querem mandar os filhos para a escola mas não têm meios, sem dinheiro, em casa continuam com fome.

Na mensagem de Fim do Ano de 2005, eu apelei aos jovens e a todo o povo, para não darem ouvidos aos políticos que clamam pela 'violência', que os empurram para a violência. Nós não queremos ouvir-nos uns aos outros, todos confiamos que todos os sábios desta terra que, com as suas atitudes, podem dar-lhes dinheiro, para sujar a imagem da Fretilin, e para matar o nome e a história da FRETILIN.

Eu sei, que Nicolau Lobato está triste. Nicolau Lobato não pede que o seu nome seja colocado em todos os lugares. Ele não precisa. O que ele pede é apenas isto: que respeitem a sua luta para libertar esta Terra e este Povo, que respeitem apenas o seu sangue.

Espíritos e Antepassados, levantem-se para olhar por este povo! Ossos que estão espalhados por todos os cantos, ponham-se de pé, Sangue que foi vertido por todos os cantos, juntem-se de novo para ver aqueles que querem estragar o povo, que querem ver o povo sempre a sofrer, que querem ver o povo sempre a morrer.

Mostrem-se, mostrem a vossa força! O vosso filho está aqui, que vos implora, para olharem por este Povo, para libertar este Povo do jugo dos sedentos de sangue.

Timor Leste: Aust pledges $240m in aid to E Timor

By ramos-horta, east timor, aid
Posted Thu Aug 30, 2007 9:26pm AEST

Mr Downer has committed $240 million in aid to East Timor over the next four years.

The package includes more than $70 million for water and sanitation, with the extra funding also going to East Timor's education system.

East Timorese President Jose Ramos-Horta has welcomed the assistance.

"The announcement [Mr Downer] has just made of additional assistance to Timor Leste is extremely generous," he said.

"It is $70 million a year that properly applied, particularly to the benefit of the poorest people in this country in the rural areas, will make a tremendous difference in the lives of the poor."

Timor Leste: Bracks finds new role in East Timor

Rick Wallace, Victorian political reporter | August 31, 2007

TONY Blair decided to try to bring peace to the Middle East when he stepped down as British prime minister. Now Steve Bracks hopes to do the same for East Timor.

The former Victorian premier has taken a post advising new Timorese Prime Minister Xanana Gusmao on establishing a stable government in the coming months.

Mr Bracks has taken on the job pro bono but will be supported in flying to and from East Timor by the philanthropic trust of prominent advertising identity Harold Mitchell.

He said yesterday he was humbled by the opportunity to help Mr Gusmao stabilise the strife-torn nation and establish a strong public service and rigorous government procedures.

"(This) is a position, which is a pro-bono position, which the Prime Minister of East Timor has asked me to undertake and that is to assist in the early days of his administration, in the establishment of his Government, in the establishment of key government departments, and the scrutiny and advice those departments receive and looking at the 100-day plan for the East Timorese people," he said.

"I have a strong relationship with the current administration in East Timor. I am very honoured but in some ways daunted by it because I don't think it's going to be an easy task.

"But I will do my best ... to assist in that early period which is so crucial in setting up good systems of government."

Mr Gusmao was recently named Prime Minister after several years in the position of president of East Timor, which won independence from Indonesia in 2002.

The move was announced in a press release from Mr Gusmao's office, which said Mr Bracks was "seen as one of the most successful premiers in Victorian history and has been a good friend of Timor-Leste".

Mr Bracks has established ties with Mr Gusmao and President Jose Ramos-Horta, and his wife, Terry, has developed a strong relationship with Mr Gusmao's Australian-born wife, Kirsty Sword-Gusmao.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Timor Leste: Estátua de João Paulo II chega a Timor Leste

Rádio Vaticano

A estátua de João Paulo II, de autoria do escultor português, Alves André, vai embarcar, na próxima sexta-feira, para Timor-Leste, onde será inaugurada no dia 12 de outubro, mesmo dia em que, em 1989, o falecido pontífice celebrou a santa missa em solo timorense.

Durante a apresentação da obra, nesta terça-feira, em Porto de Leixões, o administrador apostólico emérito de Díli, Dom Carlos Filipe Ximenes Belo, Prêmio Nobel da Paz-1996, manifestou sua alegria pela chegada da estátua, e se declarou esperançoso em relação ao futuro de Timor. "Espero que a presença dessa estátua de João Paulo II em nosso território abençoe o povo timorense. Apesar de todas as dificuldades, acredito na paz. Devemos todos dar as mãos, para a reconstrução do país" _ afirmou o Nobel da Paz.

A instabilidade voltou a Timor-Leste, depois que o presidente José Ramos Horta nomeou Xanana Gusmão como primeiro-ministro, decisão que encontrou a oposição da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN).


Estátua de João Paulo II em Timor Leste


Fátima Missionária

Alves André é o autor da estátua do Papa João Paulo II que no dia 25 de Julho será enviada para Timor depois de abençoada .
Tem 6,5 metros de altura, 4,3 de largura e pesa 12,5 toneladas. A imponente obra, em bronze do Papa João Paulo II já tem destino traçado: Tacitolo, a oito quilômetros de Díli, em Timor. O trabalho é da autoria de Alves André, escultor português, que aceitou o desafio lançado pelo Governo da República Democrática de Timor-Leste.

O objetivo de Alves André foi criar uma figura mais próxima das pessoas, e menos institucional. A estátua «excessivamente volumosa» é, assim, representativa "um homem cheio que se demarcou no seu tempo". "Foi o Papa mais preocupado com as questões da humanidade", aponta o escultor.

Na quarta-feira, 25 de Julho, a obra será benzida pelo bispo timorense Ximenes Belo, Prêmio Nobel da Paz, em uma cerimônia que contará com a presença do bispo do Porto(Portugal ), Manuel Clemente. A estátua segue depois, por via marítima, para Timor.




Timor Leste: Intervenção do Presidente do Parlamento Nacional de Timor-Leste

Fernando La Sama de Araújo

Por ocasião do feriado do dia da Consulta Popular
Dili, 30 de Agosto de 2007, 10:00

Suas Excelências,
Senhor Presidente da República,
Senhor Primeiro Ministro,
Senhores Bispos de Dili e Baucau,
Senhor Presidente do Tribunal de Recurso,
Distintos representantes do Corpo Diplomático e Comunidade de Doadores,
Senhoras e Senhores Deputados,
Senhoras e Senhores,

A quem sabe esperar, o tempo abre as portas.

Foi pelo momento, que hoje celebramos, que esperámos vinte e quatro anos.

A 30 de Agosto de 1999, o povo de Timor-Leste exerceu o seu direito de autodeterminação e escolheu o caminho da independência.

Numa consulta livre e democrática, organizada pelas Nações Unidas, os timorenses, seguros das suas convicções, decidiram corajosamente dar o passo irreversível para a formação de um Estado soberano.

Foi uma vitória de um povo, de uma Nação que se uniu em torno de um objectivo comum.
Foi a vitória dos timorenses que da adversidade, conseguiram ver a esperança. Que de pé, em Timor ou no estrangeiro, mantiveram com determinação, a chama viva de um sonho de uma Nação independente.

É uma vitória daqueles, que apesar do sofrimento, não souberam desistir, daqueles que sempre acreditaram que jamais uma montanha, por maior que seja, pode tapar o sol.

Ao estar aqui perante vós, é com grande emoção, que não posso deixar de me recordar dos que tombaram para podermos viver em liberdade e em democracia. Não citarei nomes, porque nomear alguns agora seria esquecer muitos mais, e para além disso, é na face do timorense comum que continuo, e quero continuar a ver, a vitória da nossa independência.

Não posso também deixar de sublinhar o papel da igreja. Foi sob o seu abrigo, que tantas famílias encontraram a ajuda que lhes permitiu continuar a olhar em frente. Foram tantas as vezes, que oferecendo a sua vida, madres e padres, atravessaram os seus corpos perante a injustiça.

Volto a repetir, não vou falar de nomes. Falar de alguns é esquecer muitos mais. Esta foi a vitória de um povo que se uniu: o povo de Timor-Leste.

Quero também dizer, que felizmente, contámos com muitas ajudas internacionais. Países irmãos, que mesmo quando mal se sussurrava a palavra Timor, não nos esqueceram. Continuaram a levar a todos os fóruns internacionais a questão de Timor-Leste, fazendo com que de ano para ano se tornasse uma questão cada vez mais importante na opinião pública internacional.

Falo obviamente de Portugal. Falo sem formalidades, pois da família fala-se sempre sem cerimónia. Portugal é parte integrante da nossa história e será com toda a certeza do nosso futuro.

Mas Timor-Leste não contou só com a família, teve a sorte de contar também com amigos muito chegados, que até pela sua proximidade geográfica desempenham um papel muito relevante na nossa vida. Recordo que, como bons amigos, recentemente não hesitaram em nos ajudar assim que tivemos dificuldades. Falo da Austrália, da Nova Zelândia e da Malásia. Queremos crescer com eles. Contamos com a Vossa ajuda.

Mas falar do referendo de 30 de Agosto de 1999 é também falar da Indonésia. É falar de uma relação íntima, próxima, com momentos de grande inquietude e agitação, mas que depois de ultrapassados, permite-nos seguir em frente como irmãos que trilham um caminho comum.

Ilustres Convidados,
Senhoras e Senhores,

Esta vitória já ninguém nos tira, mas não podemos esquecer que agora temos outros desafios.
A consolidação do Estado democrático é um deles, assente sobretudo no respeito pela liberdade, pelos direitos cívicos e políticos, de acordo com as regras de tolerância. Não há vencidos, nem vencedores. Há apenas a alternância normal, que caracteriza os regimes livres e democráticos.
É importante que o povo perceba que não há inimigos num Estado de direito e que ninguém pode fazer a justiça pelas suas próprias mãos. Daí o meu apelo para que todos os timorenses, se reconciliem e se unam na construção do nosso País.

É precisamente por este motivo que celebramos o dia de hoje. O 30 de Agosto existe para que nunca nos esqueçamos que o acto fundador de Timor-Leste, foi um acto livre e democrático. O referendo, é por si só, a expressão máxima da democracia: é a tradução plena da vontade popular.

E só assim chegámos ao Referendo de 1999. Porque nos juntámos. Porque unimos esforços. Só desta forma é possível ultrapassar os desafios que Timor-Leste enfrenta hoje.

Este dia existe, para que não nos esqueçamos que não podemos desperdiçar o que foi ali conseguido. Que é esse o legado que queremos deixar aos nossos filhos. Que são esses os valores que queremos transmitir.

É em honra dos que lutaram e do que juntos conseguimos em 1999, que temos a obrigação de continuar este trabalho. Há ainda muito a fazer.

O carácter de uma jovem Nação é como um adolescente. E cheio de duvidas e hesitações. Mas tambem como os adolescentes, a nossa jovem Nação, tem muita forca e vontade de vencer.
Viva Timor-Leste!

Timor Leste: O Presidente da República afirmou que os timorenses "não aprenderam nada com o passado"


O Presidente da República, José Ramos-Horta, hoje no Parlamento Nacional que os timorenses "não aprenderam nada com o passado" e, num discurso comemorativo do referendo pela independência, teceu duras críticas à Fretilin.


"O nosso ego tem sido sempre demasiado grande", afirmou José Ramos-Horta perante os deputados e vários convidados estrangeiros.

O discurso assinalou os oito anos sobre a consulta popular que, em 30 de Agosto de 1999, abriu caminho à independência de Timor-Leste, concretizada a 20 de Maio de 2002, após um período de transição de dois anos considerado "curto" por José Ramos-Horta.

"Não aprendemos nada do passado e continuamos a cometer os mesmos erros que custaram muitas vidas no passado não distante", declarou o Presidente da República.

"Mais de três décadas passadas, tenhamos a coragem de reconhecer os erros cometidos pela elite política da geração de 70 pois os erros cometidos em determinada época custaram muito caro ao povo", acrescentou José Ramos-Horta.

O Presidente da República analisou os factores que conduziram à independência e criticou a liderança que ocupou o poder nos primeiros cinco anos do Estado timorense, incluindo ele próprio, chefe da diplomacia no I Governo e primeiro-ministro do II Governo Constitucional.

"A diáspora timorense viu-se de repente com o poder nas mãos", recordou José Ramos-Horta.

"Afastados 24 anos da Pátria, estávamos alienados da nova realidade timorense", afirmou.

"Apesar de minoria, fomos nós que mais poder acumulámos, criando logo à partida forte ressentimento, acentuado quando a nova élite política foi sendo percepcionada como arrogante e alienada da nova realidade timorense".

"Não soubemos construir pontes entre as gerações e diferentes camadas sociais, entre Díli e as zonas pobres do Timor-Leste interior, entre a élite governativa e a sociedade civil, em particular a Igreja", considerou também o chefe de Estado.

João Cravinho, secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, foi um dos convidados da cerimónia oficial e considerou, no final, "extremamente interessante" o discurso do chefe de Estado.

João Cravinho chegou pouco depois das 08:00 (00:00 em Lisboa) a Díli, para uma visita oficial de quatro dias, durante a qual visitará vários projectos da Cooperação Portuguesa nas áreas da educação, justiça, agricultura e infraestruturas.

Timor Leste: IV Governo Constitucional de Timor-Leste fica hoje completo


O IV Governo Constitucional de Timor-Leste fica hoje completo com a posse de 14 membros que não estavam ainda escolhidos ou em funções.


O primeiro-ministro, Xanana Gusmão, toma posse pela segunda vez, como titular da pasta da Defesa e Segurança, depois da cerimónia que colocou em funções o novo Executivo, realizada a 8 de Agosto.

A cerimónia que completa o elenco do IV Governo está prevista para hoje à tarde (hora local), no Palácio das Cinzas, sede da Presidência timorense.

São os seguintes os titulares que hoje tomam posse, segundo a lista final fornecida pela Presidência da República:

Ministro da Defesa e Segurança: Xanana Gusmão;

Ministra da Solidariedade Social: Maria Domingues Fernandes Alves, "Micató";

Ministro da Agricultura e Pescas: Mariano Assanami Sabino;

Vice-ministra da Saúde: Madalena Fernandes Hanjan Costa Soares;

Secretário de Estado da Juventude e Desporto: Miguel Manetelu;

Secretária de Estado da Promoção da Igualdade: Idelta Maria Rodrigues;

Secretário de Estado do Meio Ambiente: Abílio de Deus de Jesus Lima;

Secretário de Estado da Assistência Social e Desastres Naturais: Jacinto Rigoberto Gomes de Deus;

Secretário de Estado para o Turismo: Adriano do Nascimento;

Secretário de Estado das Pescas: Eduardo de Carvalho;

Secretário de Estado da Pecuária: Valentino Varela;

Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural: Papito Monteiro;

Secretário de Estado para os Assuntos dos Antigos Combatentes da Libertação Nacional: Mário Nicolau dos Reis;

Secretário de Estado das Obras Públicas: Domingos Magno.

A cerimónia de posse acontece no dia em que se cumpre o oitavo aniversário do referendo pela independência de Timor-Leste.

A data foi assinalada por uma sessão solene realizada de manhã (hora local), no Parlamento Nacional, com um discurso do Presidente da República, José Ramos-Horta.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Timor Leste: 'Se Mari sair, haverá derramamento de sangue!', 'Se Mari sair, Timor explode', 'Se Mari sair, haverá guerra!'.


UMA HISTORIA EM 8 CAPITULOS: Capitulo 5
Povo que eu respeito Membros da FRETILIN.

Todos sabemos e reconhecemos que a Fretilin saiu vitoriosa em Agosto de 2001. Se falarmos como deve ser, com o devido respeito pelos Partidos da oposição, a maioria FRETILIN foi quem fez a Constituição da RDTL, definindo o Estado de Direito Democrático.

Num Estado de Direito Democrático, de acordo com a Constituição, as Forças Armadas e a Polícia devem ser apartidárias, não devem defender nenhum partido. Mas, o que testemunhámos até hoje, é que a Policia está sob o controlo do Governo, e para dar de comer a mulher e filhos, não tem coragem para dizer 'não', quando recebe ordens do Ministro do Interior, e algumas vezes do próprio Primeiro-Ministro.

No passado dia 2 de Junho, antes da reunião do Conselho Superior de Defesa e Segurança, o Brigadeiro Taur falou comigo e disse: "Presidente, eu disse ao Dr. Roque Rodrigues, o vosso maior erro foi tentarem submeter as F-FDTL à FRETILIN." Naquele momento fiquei muito contente porque reencontrei-me com o meu Irmão que eu tinha perdido.

Os Serviços de Informação ou Inteligência, que se tornou na Inteligência do Partido, para escutarem a conversa do Presidente em Lospalos, e enviar 'sms' imediatamente ao Primeiro-Ministro, monitorarem as actividades dos Partidos da oposição e também enviarem 'sms' para o Primeiro-Ministro. Alguns jovens no Farol também viram algumas coisas. Enviaram 'sms' para o Primeiro- Ministro. Hoje em dia, porque não há trabalho, todos nós procuramos sobreviver. Se tivermos dinheiro, aproximamo-nos deles.

Toda a gente vê que isso está a acontecer no nosso país.

Há pouco tempo, numa reunião em Baucau, algumas pessoas diziam assim: "Xanana, 'assim mesmo', na guerra dividiu-nos. Finda a guerra continua a dividir-nos". Compreendo o sentido da palavra "fahe" [dividir]. O seu sentido, para os políticos e os intelectuais, correctamente, todo o Povo tem de entrar para a FRETILIN, Polícia, FDTL, funcionários, 'bisnis' [negócio], suco, aldeia, búfalos, formigas, árvores, ervas, todas as coisas têm de entrar para a FRETILIN. Timor-Leste é a FRETILIN, FRETILIN é Timor-Leste. Não pode existir outra coisa, não podem existir outras pessoas. É isso que explica 'Xanana divide Timor', por isso, 'Xanana tem que sair'. Como se dissesse que eu quero governar nos próximos 50 anos.

Encontrei-me com alguns, em 1991, em Díli, que me deram os parabéns porque defini uma estratégia política correcta em 1986, com a criação do CNRM. Hoje, encontraram uma cadeira no Governo, esperando ser amanhã, ou depois, ministro, e dizendo novamente que eu divido o Povo.



Querido Povo martirizado

Por isso mesmo, depois do Congresso da Fretilin, no passado mês de Maio, muitos ou alguns delegados receberam armas. Os Administradores de Distrito e subdistrito também ouviram dizer que alguns receberam armas. Por isso mesmo, vemos na televisão, ouvimos na rádio, lemos nos jornais, os políticos e os sábios que detêm o controlo desde a ponta do 'kuda talin' [as rédeas do cavalo], dizerem repetidamente que: 'Se Mari sair, haverá derramamento de sangue!', 'Se Mari sair, Timor explode', 'Se Mari sair, haverá guerra!'.

Talvez o Comandante seja Rogério. Os Membros do Comité Central viram-se Conselheiros Políticos, para a ideologia de 'Ran Nakfakar' [derramamento de sangue] e para a ideologia de 'Timor rahun' [Timor vai explodir]. O Vice-Presidente do Parlamento também já gosta de falar de 'guerra'. Já tem muito dinheiro então tem de falar de 'guerra'.

A História continua a evoluir, continua em movimento, e são os actos de todos nós que escrevem a história. Eurico Guterres, que todo o mundo conhece, acusado de ser assassino e outras acusações, ficou preso, nós todos pronunciamos o nome dele e todos nós o acusamos porque em Timor-Leste somos todos santos, somos todos heróis da Libertação, somos todos políticos governantes. Com efeito, é muito interessante !!!

Enquanto Eurico Guterres, no dia 26 de Maio passado, enviou um 'sms' pedindo aos nossos governantes para não fazer este povo sofrer tanto, os nossos governantes, alegremente, falam de 'ran sei nakfakar' [haverá derramamento de sangue], 'Timor sei rahun' [Timor há-de explodir], 'ita sei funu' [nós vamos à guerra].

A História avança, silenciosamente, continua em movimento, registando os nossos actos, os bons e os maus, os limpos e os sujos.

Ninguém poderá inventar a história, somos nós mesmos que estamos a fazer a nossa história, uma história triste que nos envergonha, e faz com que o povo sofra.

Eles talvez continuem a contar com as Falintil-FDTL. Mas com a prática deles, sujaram também o bom nome das F-FDTL. E eu acredito que as Falintil-FDTL, hoje, aguardam por mim, para nós podermos conversar. As Falintil-FDTL também erraram, mas erraram porque deram ouvidos a pessoas mal intencionadas, deram ouvidos a pessoas que não amam o povo, deram ouvidos a pessoas que tentam comprar a alma do povo. Durante os tempos da guerra de resistência nós dizíamos sempre: se as balas não matarem, o arroz e o supermi podem matar, as balas só podem matar o corpo, mas as rupias, o arroz e o supermi matam até a própria alma.

Hei-de vestir a farda de novo para de novo erguer o bom nome das Falintil-FDTL. Hei-de caminhar de novo com as Falintil, porque é Aswain do Povo [é o brio do Povo], mas que hoje chora, estão arrependidos, por não quererem escutar o seu Irmão mais velho, e escutaram só os que têm sede de sangue. Em 2000 eu saí das FALINTIL porque reconheci que as FALINTIL já haviam cumprido a sua missão sagrada de libertar a Pátria, e todos os seus membros já são crescidos, o que me permite deixá-los sozinhos para continuar a sua própria caminhada. Tal como no CNRT, em 2001, decidimos dissolver, para que cada um procure o seu lugar nesta nova caminhada de nação independente.

Mas eu estou pronto para caminhar de novo com todos eles e pedir desculpa ao Povo. Depois disso, todas as F-FDTL, desde o Brigadeiro General até aos novos soldados, farão Juramento ao Povo, dizendo que, enquanto militares, curvam-se perante a Constituição, respeitam as Leis, e nunca dependerão de um Partido, e darão garantias de liberdade e segurança à população, e respeitarão a Ordem Constitucional.

Os que têm sede de sangue e tentaram dividir a PNTL e atiçá-los uns contra outros, também farão Juramento ao Povo, que só se submeterão à Constituição, que defenderão a legalidade democrática e darão garantias de segurança interna para todo o povo e não se submeterão a um partido.

No dia 11 de Maio, Mari disse-me que desconfiava que o Rogério estivesse por detrás do 28 de Abril, porque não cumpriu a ordem do Mari para enviar a UIR de imediato para impedir os manifestantes.

Duas semanas depois, Rogério foi a Caicoli falar comigo. Eu disse-lhe: "Rogério, para citar o nome de Nicolau Lobato, devo dizer-te que eu estive juntamente com Nicolau nalguns dos momentos mais difíceis da guerra. As pessoas acusam-te de distribuir armas. Acredita ao menos em mim. Pensa bem, porque na guerra eu não perdi nenhum membro da minha família, tu perdeste a tua família toda. Nicolau com todos os teus irmãos, estão a olhar para nós, estão a chorar por causa das coisas que estão a acontecer. Eu sei que eles não querem isto".

Leia os Capitulos anteriores publicados abaixo.

Timor Leste: João Gomes Cravinho inicia visita ao país na quinta-feira

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação de Portugal, João Gomes Cravinho, inicia quinta-feira uma visita a Timor-Leste, em que além de encontros institucionais acompanhará o desenvolvimento de projectos da cooperação portuguesa naquele país.


Na deslocação, de cinco dias, João Gomes Cravinho tem previsto encontros com o Presidente da República, José Ramos-Horta, com o presidente do Parlamento, Fernando Lasama Araújo, com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, e com o representante especial do secretário-geral da ONU, Atul Khare, entre outras entidades políticas e religiosas.

Durante a estada em Timor-Leste, o governante português deslocar-se-á ao distrito de Ermera, para visitar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural em Timor-Leste.

Portugal é o principal doador internacional de Timor-Leste e as acções de cooperação, em múltiplas áreas, têm especial relevo nos sectores da educação, justiça, saneamento básico e agricultura.

Nesse sentido, além da deslocação a Ermera, João Gomes Cravinho aproveitará a estada em Timor-Leste para visitar o emissor de Fatuhai, leste de Díli, no âmbito do Programa do Alargamento da Cobertura do Sinal de Rádio e Televisão, e inaugurará, na capital timorense, a segunda fase da Escola Portuguesa de Díli.

Deslocações ao Centro de Formação Jurídica de Caicoli, no centro de Díli, e à ilha de Ataúro, onde inaugurará o Sistema de Abastecimento de Água Potável, completam o programa da visita de cinco dias a Timor-Leste.

Além da forte presença portuguesa no domínio da cooperação bilateral, Portugal mantém estacionado em Timor-Leste um contingente de militares da GNR e de agentes da Polícia de Segurança Pública, que integram a Missão Integrada da ONU em Timor-Leste.

O secretário de Estado português terá oportunidade de se encontrar com os militares e agentes da GNR e PSP, no decurso de uma visita ao quartel da GNR, situado no bairro de Caicoli.

João Gomes Cravinho visita Timor-Leste à frente de uma delegação que integra a vice-presidente do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, Vera Abreu, e a directora do Serviço Ásia e Oceânia do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Gabriela Albergaria.

Timor Leste: Downer to participate on Timorese popular consultation day

The Australian Minister Cooperation and Foreigner Affairs, Alexander Downer will visit Timor-Leste for Timor-Leste’s 8th popular consultation day on 30 August, the agenda of East Timor Prime Minister said on Tuesday (28/8).


The agenda also explained that Mr. Downer will especially visit to Timor-Leste to participate Timor-Leste’s historical day to gain independence.

Mr. Downer will also held a meeting with all political leaders of the country to discus the current security situation in Timor-Leste, after participating ceremony of popular consultation day Mr. Downer reportedly will visit Australian soldiers in headquarter Caicoli, Dili. (TP and STL)

Timor Leste: eleitos novos elementos para órgãos consultivos do PR


O Parlamento Nacional de Timor-Leste elegeu hoje em Díli os novos elementos que vão integrar os dois órgãos consultivos do Presidente da República, o Conselho de Estado e o Conselho Superior de Defesa e Segurança.

Os nomes, cinco para o Conselho de Estado (CE), e três para o Conselho Superior de Defesa e Segurança (CSDS), representam o Parlamento Nacional naqueles dois órgãos e foram aprovados em duas listas únicas.

A lista com os cinco nomes para o CE, Feliciano Alves (proposto pelo partido maioritário FRETILIN), Milena Pires (PSD), Cirilo José Cristóvão (CNRT), Benevides Correia Barros (PD) e Vítor Alves (UNDERTIM), obteve 41 votos favoráveis, tendo quatro deputados votado contra enquanto seis se abstiveram.

Para o CSDS foi aprovada com 48 votos favoráveis, dois contra e uma abstenção a lista com os deputados Fernando La Sama de Araújo (presidente do parlamento e indicado pelo PD), David Dias Ximenes (Fretilin) e Fernanda Borges (PUN).

O Conselho de Estado, enquanto órgão de consulta política, permite ao chefe de Estado fazer uso das competências constitucionais que lhe permitirão, a título extraordinário, «resolver situações de extrema gravidade, quer no plano interno quer no plano externo, que possam afectar a normal convivência democrática, ameaças a independência nacional ou a unidade do Estado».

Dado o carácter extraordinário destas circunstâncias, a Constituição de Timor-Leste determina que a decisão presidencial seja precedida de audiência do Conselho de Estado.

Trata-se de um órgão em muito parecido, em termos de competências e de representatividade, com o Conselho de Estado existente em Portugal.

Têm assento no Conselho de Estado antigos presidentes da República que não tenham sido destituídos, o presidente do Parlamento Nacional, o primeiro-ministro, cinco cidadãos eleitos pelos deputados, respeitando a representação proporcional, e cinco cidadãos indicados pelo chefe de Estado, que a ele preside.

Relativamente ao CSDS, trata-se igualmente de um órgão consultivo do chefe de Estado para os assuntos relativos à defesa, segurança e soberania.

Presidido pelo chefe de Estado, o CSDS integra ainda o primeiro-ministro, os ministros ou secretários de Estado responsáveis pelas áreas da Defesa, Justiça, Interior e Negócios Estrangeiros, três representantes do Parlamento Nacional, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, o responsável nacional pela Segurança do Estado e dois cidadãos indicados pelo presidente da República.

Diário Digital / Lusa

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Timor Leste: Isto é história, história da resistência, história do sofrimento, história de sangue.

UMA HISTORIA EM 8 CAPITULOS:

Capitulo 4

Mensagem de S.E. o Presidente da República

Queridos Companheiros membros da FRETILIN


Em 1998, se eu não me engano, no período da Reformasi na Indonésia, eu mandei Mau Hodu a Sydney e escrevi à FRETILIN para se organizar como partido, para mostrarem a sua orientação político-ideológica. Foi sob o chapéu do CNRM e do CNRT que o Povo ganhou em Agosto de 1999. Isto é história, história da resistência, história do sofrimento, história de sangue. Hoje em dia, nós ouvimos que só a FRETILIN é que fez a luta. Não importa, vocês é que são os donos da luta, aceitamos, não deitem areia para os olhos do povo porque é todo o povo que vota e não apenas a FRETILIN.

Em Maio de 2000, a FRETILIN convidou-me a falar na sua Conferência, no GMT [Ginásio], neste momento rebaptizado GAT. Pedi três coisas à FRETILIN:

- primeiro, rever, reavaliar o caso de Xavier do Amaral, porque ele não é um traidor na nossa terra, apenas porque não aceitou a ideologia adoptada pelo Comité Central, em Laline, em Maio de 1977.

- segundo, para limparem o nome de todos os que a FRETILIN assassinou porque os considerava traidores, mas que não eram traidores, apenas não aceitavam a ideologia marxista-leninista, e para que as suas famílias possam estar descansadas.

- terceiro, que a FRETILIN pedisse desculpa ao Povo, sobretudo aos familiares das vítimas.

Naquela Conferência eu disse isto: "Como membro do Comité Central da FRETILIN, desde o início até meados da guerra, todas as coisas boas que a FRETILIN fez, eu também fiz parte, as coisas más que a FRETILIN, porventura, tenha feito, eu também tenho a minha responsabilidade. Não é por eu ter deixado a FRETILIN que lavo as minhas mãos.

Eu também pedi, caso a FRETILIN tomasse uma decisão política acerca destes pedidos, que eu próprio iria ter com o povo e pedir desculpa e explicar as razões e pedir às famílias para compreenderem os erros cometidos no passado.

Passados estes dias, convidaram-me para ir à festa da FRETILIN, dia 20 de Maio de 2000, no Estádio e, depois do discurso de Lu-Olo, eu perguntei-lhe e ao Mari acerca dos pedidos que fiz na Conferência. Eles responderam que tinham constituído uma comissão para tratar desses assuntos.

Em Agosto de 2000, no Congresso do CNRT, a FRETILIN isolou-se, saindo do CNRT. Nós permanecemos calmos, continuámos a trabalhar seguindo o processo político que a UNTAET delineava, até Junho de 2001, data em que foi dissolvido o CNRT, porque terminara a sua missão.

Em Janeiro de 2000, Ramos-Horta fez-me saber que era melhor falar com o Mari. Eu respondi que foi a FRETILIN que abriu a porta do CNRT para sair e que ninguém a fechou, pelo que se quiserem voltar que o fizessem. Mari veio falar comigo à sede do CNRT em Balide.

Ele disse-me que saíram porque estavam zangados comigo, porque eu deixei algumas pessoas falarem no Congresso rebaixando o nome da FRETILIN. Estas pessoas eram vítimas da violência política da FRETILIN no mato.

Eu respondi-lhe um pouco zangado: "Você esqueceu-se das três coisas que pedi na vossa Conferência em Maio. Limpar o nome das vítimas ou pedir desculpa ao Povo, não é rebaixar a FRETILIN mas concertar ou limpar o nome da FRETILIN".

Eu disse-lhe também: "Você não tem razão para temer, porque o Sr. pode dizer ao Povo o seguinte: Eu, Mari, não tenho nenhuma razão para estar contente por causa das razões erradas que aconteceram dentro de Timor. Eu, Mari, em Maputo, sofrendo durante 14 anos, lavo as minhas mãos todos os dias com sabão. Eu, Mari, tenho as mãos limpas, se quiserem pedir, vão pedir a Xanana, as mãos dele é que estão sujas, as mãos dele é que estão ensanguentadas."

Eu continuei a dizer: "Se o Sr. continuar a falar assim, eu aceito, e eu irei pedir desculpa ao Povo quando a FRETILIN tomar a decisão política acerca disso".

No "Lapangan Pramuka", agora designado "Campo da Democracia" todos os partidos políticos assinaram que iriam constituir um Governo de Unidade Nacional. Quando a FRETILIN ganhou afastou-se do compromisso político que aceitara. Se não queria aceitar, não necessitava de lá ir assinar, em vez de ir assinar e, no fim, virar as costas às palavras que tinham assumido.

Isto é tal e qual como na Constituição que eles fizeram, as leis que eles fizeram. Eles fizeram, viraram as costas, não cumpriram.

Marí Alkatiri: “Horta e Xanana não respeitam a decisão do Tribunal”

O Presidente da República, José Ramos Horta, e o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, não respeitaram o Tribunal, por terem utilizado a Fretilin-Mudança para realizar campanhas, apesar de saberem que esse grupo era ilegal, de acordo com o Secretário-Geral da Fretilin, Marí Alkatiri, que falou sobre esta questão aos jornalistas, segunda-feira (20/8), no Parlamento Nacional, em reacção às declarações do Presidente da República em que disse que a Fretilin deve apresentar notificação ao Tribunal de Recurso contra a sua decisão.

«O problema político é resolvido através da política, mas se apresentarmos o caso ao Tribunal e se o Tribunal decidir uma vitória da Fretilin, como poderemos resolver o problema?» questionou Marí Alkatiri.

Marí Alkatiri explicou que se o Presidente da República entregar o Governo apartidariamente à FRETILIN também não resolverá problemas, e não é necessário sobrecarregar o Presidente do Tribunal de Recurso para resolver os problemas políticos que devem ser resolvidos através da política.

«Como aconteceu quando a “Mudança” apresentou o caso ao Tribunal, nós ganhámos mas o problema não ficou resolvido. O Presidente José Ramos Horta e o Presidente do CNRT, Xanana Gusmão, usaram o grupo Mudança para realizar campanhas, apesar de terem conhecimento de que esse grupo era ilegal, portanto digo que eles não respeitaram a decisão do Tribunal», lamenta Marí Alkatiri.

Marí declara ainda que se os líderes no topo não respeitam a decisão do Tribunal, então mais vale não apresentar nenhum caso ao Tribunal e tentar resolver através da justiça. Explica também através do caso de Alfredo, que se evadiu da prisão e até agora não há certeza de que se deva capturar ou não capturar, «uma situação contra a decisão do Tribunal».

Marí Alkatiri explicou ainda que Railós teve o mandato de captura, ainda se encontrou com o Presidente da República e depois escapou-se e foi esconder-se. «Então, ir ao Tribunal para quê? Apenas para sobrecarregá-lo e depois continuamos a fazer as coisas segundo os nossos desejos? Não vale a pena, então seria melhor os líderes principais resolverem esse problema. Precisamos de estabilidade e de paz. Daqui a dois ou três anos, então devemos formar um Governo de grande inclusão para garantir a estabilidade e a paz no País. Neste momento grupos incendeiam casas em Viqueque, condenam a Fretilin, mas este partido não quer a violência porque a Fretilin foi vítima de violência há mais de um ano, sem contar os tempos da luta», defende Marí Alkatiri.

Salienta ainda que «gostam de usar a violência para resolver problemas porque em 2006 usaram a violência para derrubar o Governo. Quem é abriu esta situação e dividiu o país em Leste e Oeste para dar início à violência? Este caso ainda não foi respondido perante a justiça».

De acordo com o responsável, «a Fretilin fez isto porque não quer governar apartidariamente neste momento actual mas optou por um Governo de grande inclusão. A Fretilin foi o primeiro partido mais votado e assim devia indigitar o Primeiro-Ministro, portanto a própria Fretilin apresentou uma figura independente a Primeiro-Ministro através de um acordo e com base na Constituição mas rejeitaram», afirmou.

Sobre a intervenção das Forças Internacionais, acusadas de falta de imparcialidade, Mari Alkatiri afirma que «usamos essas Forças para resolver problemas mas se a sua presença é para apoiar um determinado grupo contra outro grupo, mais vale regressarem aos seus países». JNSemanário.