terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Ramos-Horta deu entrevista ao 'Estado' antes de atentado


'Minha frustração é não fazer milagres', disse o presidente, baleado nesta segunda, sobre a pobreza no Timor
Denise Chrispim Marin e Rui Nogueira, de O Estado de S.Paulo
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008, 21:24

BRASÍLIA - Vítima de um atentado nesta segunda-feira, 11, o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, concedeu a seguinte entrevista exclusiva ao Estado há dez dias, quando esteve no Brasil:


A nomeação de Xanana Gusmão como primeiro-ministro provocou uma reação violenta no país. Como contornar isso?
Muitos líderes da Fretilin (Frente Revolucionária por um Timor Leste Independente) já morreram. No entanto, seus filhos e amigos acham que o partido deve governar ad infinitum. Em 2001, a Fretilin teve 57% dos votos. Em 2006, 29%. Formei uma coalizão com quatro partidos para governar e esses jovens sentiram-se traídos. Mas a violência não foi tanta.

A nomeação de Xanana foi absorvida pelo país?

Sim, viajei por vários locais onde houve violência. No mais problemático, só uma pessoa levantou a questão política. As outras falaram da necessidade de estradas e empregos.

O Timor criou um fundo com os royalties do petróleo. Como esses recursos são aplicados?

Esse fundo tem cerca de US$ 2 bilhões e é investido em bônus do Tesouro americano. O investimento é seguro, mas os juros são muito baixos. Com a inflação americana e a desvalorização do dólar, já perdemos cerca de US$ 500 milhões em dois anos. O primeiro-ministro já ordenou um estudo. Mas é muito tarde.


Como será o Timor em 20 anos?

O modelo viável para o Timor Leste é Dubai (Emirados Árabes). Além de recursos minerais, petróleo e gás, temos mais vantagens que Dubai, pois nosso território é maior e podemos ser auto-suficientes em agricultura. Timor pode vir a ser um centro financeiro para o Sudeste da Ásia.


Como o sr. lidará com as dificuldades orçamentárias de sua gestão?
Como o senhor pretende lidar com a dificuldade do governo timorense executar seu orçamento anual? Entre 2000 e 2001, consultores internacionais super-inteligentes nos aconselharam a adotar um sistema que só seria aplicável na Noruega. Isso tornou difícil para os ministros executar o orçamento com celeridade. Com as mudanças que fizemos e a liderança forte do primeiro-ministro, acredito que seja possível uma execução mais rápida.

Qual o principal problema do Timor?
O mais grave e imoral é a pobreza. O orçamento deste ano prevê o pagamento de uma soma única aos veteranos da luta pela independência, de US$ 9 mil a US$ 10 mil. Cada veterano receberá US$ 100 ao mês até morrer. Vamos eliminar os impostos, dar apoio à agricultura e fazer obras. Mas isso leva tempo. Minha frustração é não ser Nossa Senhora de Fátima, para fazer milagres.


estadao.com.br

ONU amplia por um ano mandato de sua missão no Timor Leste

Photo: Massacre de POLICIAS em Timor-Leste (Under UN protection)


NOVA YORK (AFP) — O Conselho de Segurança da ONU decidiu nesta segunda-feira ampliar por um ano o mandato da missão do organismo mundial no Timor Leste, ao mesmo tempo em que condenou as recentes tentativas de assassinato de líderes desse país.

O conselho de 15 membros aprovou por unanimidade uma resolução proposta pela África do Sul que ampliou o mandato da atual missão de 2.700 efetivos até 26 de fevereiro de 2009.

A resolução 1.802 também "condena nos mais duros termos" as tentativas frustradas de assassinatos no dia 11 de fevereiro do presidente José Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão do Timor Leste, "e todas as tentativas de desestabilizar o país".

A Indonésia invadiu o Timor Leste em 1975 e governou a ex-colônia portuguesa com mão de ferro até 1999, quando a população votou a favor da independência.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Membro de grupo rebelde se rende à polícia da ONU no Timor


25-02-2008 10:53:12

Dili, 25 fev (Lusa) - Um membro do grupo rebelde que era comandado pelo major Alfredo Reinado se rendeu nesta segunda-feira à Polícia das Nações Unidas (UNPol), anunciou em Dili o chefe da Missão Integrada da ONU no Timor Leste (Unmit), Atul Khare.

"Um dos co-acusados no processo [contra Alfredo Reinado] nos contatou dizendo que estava pronto para se entregar", anunciou o representante especial do secretário-geral da ONU, Atul Khare.

O subcomissário e comandante operacional da UNPol, Hermanprit Singh, foi pessoalmente a Maubisse, no oeste do país, para acompanhar a transferência do rebelde rendido para a capital.

"Não foi preciso usar algemas nem nenhuma coação", explicou Atul Khare, que chefia a Unmit.

Atul Khare não divulgou o nome do membro que se rendeu à UNPol "por razões de segurança, porque isso não compete à Unmit, mas às entidades judiciais, e para evitar possíveis represálias contra a família do acusado".

O rebelde que se rendeu nesta segunda-feira é um dos 13 acusados no processo que o major Alfredo Reinado respondia por homicídio, rebelião e posse ilegal de material de guerra.

Os suspeitos faziam parte de um grupo que fugiu do estabelecimento prisional de Becora, em Dili, em 30 de agosto de 2006, e que, mais tarde, participou do assalto a três esquadras de Polícia de Fronteira, em fevereiro de 2007.

A maioria dos acusados é formada por ex-militares das Forças de Defesa do Timor Leste e quase todos pertenciam à Polícia Militar - unidade que, no momento da crise de 2006, era comandada por Alfredo Reinado.

O membro que se rendeu nesta segunda-feira não estava armado, segundo Atul Khare, que afirmou também desconhecer os motivos da rendição.

O acusado se entregou no terceiro dia da operação "Halibur", promovida em parceria entre as Forças de Defesa e a Polícia Nacional para capturar os responsáveis pelos ataques ao presidente e ao primeiro-ministro timorenses, há duas semanas.

Em 11 de fevereiro (noite do dia 10 no Brasil), o presidente José Ramos-Horta ficou gravemente ferido após um atentado a bala em sua residência. Alfredo Reinado, tido como chefe do ataque, morreu na investida.

Com a morte de Reinado, a liderança dos rebeldes passou a ser exercida pelo ex-tenente Gastão Salsinha, que está foragido e a quem é atribuído o ataque ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão, que escapou ileso.

O comandante da operação "Halibur", o tenente-coronel Filomeno Paixão, anunciou nesta segunda-feira que as forças conjuntas ainda não se encontraram com o grupo de Gastão Salsinha.

"Aproveitamos também para informar a população que não é preciso fugir, porque não andamos a fazer prisões indiscriminadas", adiantou o oficial das Forças de Defesa do Timor Leste, que apelou pela colaboração de todos com as autoridades.

Líder do Timor se levanta e come sentado, diz Romana Horta


25-02-2008 08:53:29

Macau, China, 25 fev (Lusa) - O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, se levantou pela primeira vez nesta segunda-feira, duas semanas depois do ataque que sofreu em Dili, e "já comeu sentado à mesa", disse à Agência Lusa sua irmã Romana.

Contatada por telefone em Darwin, Austrália, Romana Horta afirmou que José Ramos-Horta "já fala melhor", "já quer começar a trabalhar" e descobriu que "só dentro de um mês" poderá viajar de avião.

"Os médicos disseram que, durante mais um mês, ele não pode voar e vai ter que permanecer aqui em Darwin", disse a irmã do líder, explicando que o estado de saúde do presidente do Timor Leste "está melhorando bastante" e que ele, agora, tem apenas "um tubo de oxigênio para o ajudar a respirar".

Segundo Romana Horta, nesta segunda-feira, os médicos voltaram a cuidar das feridas que Ramos Horta tem nas costas e "disseram que tudo está correndo bem e que as feridas estão sarando de forma muito satisfatória".

As autoridades australianas disponibilizaram um gabinete de trabalho para funcionários da Presidência timorense dentro do hospital onde Ramos-Horta está internado. Sabendo disso, o líder manifestou o desejo de "começar a ver papéis" nos próximos dias, disse sua irmã.

"Está cá um assessor do meu irmão e, nos próximos dias, deverão vir aqui para o hospital algumas pessoas do Timor Leste com quem ele [Ramos-Horta] pretende conversar", acrescentou Romana Horta.

O presidente timorense foi gravemente baleado no dia 11 de fevereiro (noite do dia 10 no Brasil), junto a sua residência em Dili, em ataque que resultou na morte do major foragido Alfredo Reinado e de um elemento de seu grupo rebelde.

Pouco depois deste ataque, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, escapou ileso a uma emboscada na estrada entre sua casa e a capital do país.

Presidente do Timor Leste continua internado em UTI

24/02/2008 15h05

O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, deverá permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospital da Austrália "mais cinco dias", devendo depois ser transferido para um quarto normal, disse neste domingo (24) à agência Lusa a irmã do presidente, Romana Horta.

Ela disse que o líder timorense vai permanecer "mais alguns dias nos cuidados intensivos"."Ele fala bem, mantém uma conversa mas continua muito cansado".

Nesse sábado (23), em sua primeira declaração à imprensa após o ataque de 11 de fevereiro, em que foi atingido por um tiro, José Ramos-Horta comunicou a intenção de "saber tudo a fundo sobre o que se passou, levando a investigação até ao fim".

Fonte: Agência Brasil

Ataque a Ramos-Horta foi retaliação a Xanana


Segundo o novo líder dos rebeldes timorenses

Um encontro do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, com peticionários (desertores do exército), esteve na origem dos ataques de 11 de Fevereiro ao Presidente José Ramos-Horta, revelou ontem ao semanário Expresso Gastão Salsinha, novo líder dos rebeldes.

O tenente Gastão Salsinha, substituto do falecido major Alfredo Reinado no comando dos rebeldes, declarou ao jornal que, segundo informadores, Xanana Gusmão se teria reunido nas suas costas com peticionários, na capital, depois de Ramos-Horta tentar um acordo em Maubisse.
Salsinha afirmou desconhecer a intenção de Reinado quando se dirigiu fortemente armado a casa do Presidente da República, em Metihau.
De acordo com a mesma fonte, "o ataque que se seguiu (...) — em Balibar —, ao carro do primeiro-ministro, foi uma reacção emocional".
"Sabíamos que Reinado estava morto. Os homens ficaram zangados e dispararam (...)", adiantou, rematando: "Se tivéssemos intenção de matar, não tínhamos atirado aos pneus. Foi um aviso".
A reunião do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, com peticionários, visando a sua reintegração nas Forças de Defesa de Timor-Leste (FDTL) ou, em alternativa, o regresso à vida civil, ocorreu no passado dia 7, em Dili, enquanto a tentativa de acordo de Ramos-Horta foi feita a 13 de Janeiro, precisa o jornal.
O Expresso conclui que, segundo Salsinha, mais de uma centena de homens estarão com os rebeldes, escondidos algures na ilha.
Entretanto, o Presidente da República de Timor-Leste, atingido a tiro a 11 de Fevereiro num ataque à sua residência, "está a recuperar muito bem e já comeu alimentos sólidos", afirmou ontem João Carrascalão, cunhado de José Ramos-Horta, à agência Lusa.
João Carrascalão, que visitou o chefe de Estado timorense no Royal Hospital de Darwin, Austrália, afirmou que "o Presidente está a recuperar muito bem, embora se sinta muito cansado porque não consegue dormir".
Segundo João Carrascalão, o chefe de Estado timorense "está muito bem disposto e mantém-se acordado porque recusou tomar comprimidos para dormir".
Ontem, o chefe de Estado timorense "já comeu alimentos sólidos, comida normal, pela sua própria mão", contou João Carrascalão a partir de Darwin. O Governo de Timor-Leste, entretanto, expressou ontem o seu acordo com a estrutura e as regras de empenhamento da operação de captura ao grupo do ex-tenente Gastão Salsinha.
O Governo timorense deu, desse modo, a sua concordância com as decisões do comando conjunto da operação "Halibur" ("reunir" ou "juntar" em tétum), que reúne as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e da Polícia Nacional (PNTL).
A decisão surge um dia depois de ter sido aprovado e proclamado o regime de estado de sítio por mais 30 dias, a partir de ontem, com recolher obrigatório entre as 22:00 e as 06:00. A operação de captura do grupo do ex-tenente Gastão Salsinha, denominada "Halibur", "é uma típica acção de contra-insurreição", feita por ex-guerrilheiros que agora estão numa força convencional, notam fontes militares timorenses e internacionais ouvidas pela agência Lusa.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Timor-Leste: Ramos-Horta agradece apoio português


23.02.2008 - 17h33 Lusa, PÚBLICO
O Presidente timorense, José Ramos-Horta, na sua primeira declaração após o atentado que sofreu no passado dia 11, disse estar muito sensibilizado com o apoio que recebeu de Portugal, em particular do seu homólogo, Cavaco Silva.

A mensagem de Ramos-Horta – que recupera num hospital de Darwin dos ferimentos de bala sofridos durante o ataque à sua residência, em Díli – foi transmitida à Lusa pelo cunhado João Carrascalão, adiantando que o Presidente timorense “está "muito sensibilizado e agradecido com o povo português e muito preocupado com o povo timorense”.

O chefe de Estado timorense agradece, em especial, ao Presidente da República “pela condenação enérgica e imediata dos ataques e pelo apoio manifestado” e sublinha que pretende “saber a fundo tudo o que se passou, levando a investigação até ao fim”.

Reagindo a esta mensagem, Cavaco Silva congratulou-se com a rápida recuperação do seu homólogo timorense: “O que eu mais desejo é que o Presidente Ramos-Horta regresse rapidamente para junto do seu povo”

O Presidente português admitiu que a política de diálogo com os rebeldes seguida pelas autoridades timorenses não resultou e disse esperar que os responsáveis pelos atentados sejam julgados.

"Tivemos ali um ataque sério às instituições democráticas de Timor. Espero bem que as autoridades timorenses consigam agora julgar, como deve ser e no respeito pela lei, aqueles que tentaram assassinar, segundo a informação disponível, quer o Presidente, quer o primeiro-ministro", afirmou, dizendo suspeitar de uma tentativa de “decapitação das instituições democráticas” timorenses.

Nas declarações que enviou através do seu cunhado, Ramos-Horta afirma-se de "muito bom humor" e manda informar o seu homólogo português que receberia com agrado em Darwin "alguns pastéis de Belém e um bom vinho do Porto".

Cavaco Silva, que falava durante uma deslocação a Boticasa, registou o pedido e prometeu rapidez.

"Gostaria de lhe fazer chegar rapidamente [pastéis de Belém e vinho do Porto]. Talvez quando for uma próxima missão da GNR se possam enviar", acrescentou, notando, com humor, que dado a viagem ser longa, os pastéis de nata deverão chegar já frios.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Ramos-Horta estará ainda "muito confuso" para falar sobre atentado

O presidente de Timor-Leste "estará ainda muito confuso" para falar sobre o atentado de que foi vítima a 11 de Fevereiro, embora saiba ter sido alvejado, afirmou hoje o director do Royal Darwin Hospital.

Len Notaras sublinhou que José Ramos-Horta, ferido com gravidade num ataque contra a sua residência em Díli, em que o major Alfredo Reinado, principal suspeito, foi abatido a tiro, "terá consciência de que foi alvejado" e que estará ainda "confuso" sobre os pormenores.

"Ele (Ramos-Horta) sabe, com certeza, que foi alvejado e que isso foi uma experiência traumática. Quanto aos responsáveis pelo ataque e aos restantes pormenores, já não terei tanta certeza. Diria que, devido ao trauma, haverá provavelmente ainda grande confusão", afirmou Len Notaras à agência France Presse.

O director do Royal Darwin Hospital adiantou ser também "provável" que Ramos-Horta, já operado em cinco ocasiões - uma ainda em Díli e quatro naquela cidade do norte da Austrália -, esteja ainda "pouco seguro sobre os pormenores do ataque depois de ter estado inconsciente por tanto tempo".

O presidente timorense, que esteve até quarta-feira num regime de coma induzido, "não viveu os últimos dez dias da sua vida", lembrou Len Notaras.

"Assim que recuperar a capacidade de orientação, será já capaz de conseguir maior clareza nos seus pensamentos. Mas é preciso que o mantenhamos relaxado e livre de qualquer ambiente de stress para que possa permitir que o seu corpo recupere", acrescentou.

Hoje, em declarações à Agência Lusa, uma irmã de Ramos-Horta indicou que o presidente timorense continua a "recuperar bem", pergunta pela família e amigos, mas ainda não falou sobre o ataque que sofreu a 11 de Fevereiro.

"Ele está como ontem [quarta-feira]. A recuperar bem, não tem febre e tem uma voz mais clara", contou Romana Horta, salientando que o presidente timorense ainda não falou nem perguntou nada sobre o ataque, referindo-se apenas a familiares e amigos.

"Ele fica é com os olhos muito assustados quando houve algum barulho ou ruído maior. Contudo, não fala sobre o acidente e nós também não perguntamos", referiu, acrescentando que o presidente está acompanhado pela mãe, por um irmão e pelo cunhado João Carrascalão.

Um duplo atentado visou a 11 de Fevereiro o primeiro-ministro Xanana Gusmão, que escapou ileso, e o presidente e prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, que ficou gravemente ferido e teve de ser transferido para Darwin.

O Royal Darwin Hospital salientou hoje, no último boletim médico sobre o presidente timorense, que Ramos-Horta está a "acordar lentamente da sedação" e confirmou que "disse algumas palavras aos seus familiares".

Os médicos dizem também que Ramos-Horta deverá continuar na unidade de cuidados intensivos por mais tempo e provavelmente será submetido a "outra cirurgia menor".

Os médicos australianos têm-se mostrado confiantes na recuperação total de Ramos-Horta, admitindo que venha a ter alta hospital dentro de três semanas e uma recuperação total no prazo de seis meses.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Timor-Leste: Parlamento aprovou projecto de lei sobre regime de estado de sítio e de emergência


Díli, 20 Fev (Lusa) - O parlamento de Timor-Leste aprovou hoje, na generalidade, o regime do estado de sítio e de emergência, em que se atribui aos Tribunais Militares a "instrução e julgamento" das infracções às disposições que forem determinadas.

O novo regime, um projecto de lei cujo texto final ainda não está concluído, já que prosseque na quinta-feira a discussão na especialidade, entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação e prevê que a declaração do estado de sítio seja feita pelo Presidente da República mediante proposta do Governo e ouvidos os Conselhos de Estado, o Governo e o Conselho Superior de Defesa e Segurança.

A declaração do estado de sítio tem ainda de obter a autorização prévia do Parlamento Nacional ou da sua comissão permanente nos casos de impossibilidade de reunir o plenário.

Com o novo regime do estado de sítio e de emergência terá de ficar explicíto a "caraterização e fundamentação do estado declarado", o seu "âmbito territorial", a sua "duração" e "especificação dos direitos, liberdades e garantias cujo exercício fica suspenso ou restringido".

No caso de ser declarado o estado de sítio, o chefe de Estado terá também de definir os poderes conferidos às autoridades militares de acordo com o artigo nono, que prevê que as autoridades civis fiquem subordinadas às autoridades militares ou a sua substituição por estas.

A declaração terá ainda de definir os crimes que ficam sujeitos à jurisdição dos tribunais militares e a justificação das medidas de excepção.

Enquanto os Tribunais Militares não são criados, refere o artigo 31 relativo às disposições transitórias, os poderes atribuídos na lei são exercídos pela instância judicial máxima da organização judiciária existente em Timor-Leste, ou o Tribunal de Recurso local.

O estado de sítio está em vigor em Timor-Leste desde os ataques do passado dia 11 contra o Presidente da República, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

Inicialmente, o estado de sítio foi declarado por 48 horas, mas foi entretanto prorrogado por mais 10 dias, até 23 de Fevereiro.

Xanana Gusmão disse hoje que o Governo vai propor um novo prolongamento do estado de sítio.

Ataques contra Xanana e Ramos-Horta terão sido feitos pelo mesmo grupo

20.02.2008 - 17h08 PÚBLICO
As investigações preliminares da missão das Nações Unidas em Timor-Leste aos ataques da semana passada contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão revelam que terá sido o mesmo grupo a atacar o Presidente e o primeiro-ministro e que o seu propósito era eliminar os mais altos dirigentes do país.

Segundo o site da RTP, que cita o correspondente da Lusa em Timor-Leste, o relatório do departamento de investigação da missão das Nações Unidas no país fornece informações detalhadas sobre os ataques do passado dia 11.

De acordo com a mesma fonte, o ataque à casa do Presidente timorense terá começado às 06h05, quando “doze a treze pessoas”, armadas e com uniformes militares, chegaram ao local em duas viaturas.

O militar das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) que fazia a guarda ao portão principal da residência foi manietado por três dos atacantes, enquanto outros sete, liderados pelo major Alfredo Reinado, entraram no complexo residencial em busca de Ramos-Horta.

Os investigadores adiantam que o grupo de Reinado não conseguiu encontrar o Presidente no interior do complexo e acabaria por ser visado por um outro militar das F-FDTL que fora entretanto acordado por um funcionário da residência. O militar disparou contra o major Reinado e um outro atacante, que estava encapuzado, tendo matado e desarmado ambos.

Ramos-Horta só foi atingido quando regressava a casa depois de uma corrida junto à praia, na companhia de dois seguranças. Apesar de ter ouvido disparos, que um civil terá atribuído a exercícios das tropas americanas, o Presidente prosseguiu a marcha e só se apercebeu do ataque quando estava a 50 metros da residência, ao ver militares encapuzados na estrada.

O Presidente atirou-se para o chão por indicação de um dos seguranças, mas ainda assim foi atingido com dois disparos “no lado direito do peito”, acrescentam os investigadores. O outro segurança abriu fogo contra os atacantes que fugiram do local em direcção às montanhas, acrescenta o relatório, dando a entender que só aí se encontraram com a caravana automóvel em que seguia Xanana Gusmão que saiu ileso da emboscada.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Timor Leste: Ramos-Horta foi operado pela quinta vez e já fala


O Presidente da República de Timor-Leste já saiu do coma induzido e começou esta quarta-feira a falar e as primeiras palavras foram para saber da família e das pessoas amigas.

Romana Horta, irmã do líder timorense, informou em Darwin, na Austrália, que o seu irmão “Está muito melhor. Já fala e está lúcido".

Ramos-Horta até ao momento não se terá ainda pronunciado sobre o ataque que sofreu em Dili por parte do major Alfredo Reinado morto durante os ataques.

O presidente da Timor está acompanhado no “Royal Darwin Hospital” por familiares, nomeadamente a mãe, cinco irmãos, o filho e pela ex-mulher.

O chefe de estado timorense foi submetido na passada terça-feira à quarta cirurgia no Royal Darwin Hospital, para onde foi transferido após ter sido ferido a tiro com gravidade a 11 de Fevereiro, em Díli, onde foi inicialmente operado.

A operação serviu para os médicos fazerem "um transplante de pele da perna para tapar o buraco nas costas", causado pelos ferimentos de bala que Ramos-Horta sofreu no ataque, em Díli.

Segundo informação de Romana Horta, os médicos chegaram a equacionar a hipótese de realizar uma traqueotomia para que Ramos-Horta pudesse deixar o ventilador.

Esta quarta-feira essa possibilidade é mais "remota", de acordo com Romana, o que denuncia as melhoras do Nobel da Paz.

Os médicos australianos mantêm-se confiantes na recuperação total de Ramos-Horta, chegando a admitir que possa vir a ter alta hospitalar dentro de três semanas e uma recuperação total no prazo de seis meses.

RTP
2008-02-20

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Ramos-Horta discutia eleições antecipadas com partidos políticos

2008-02-19 09:16:30

Antes dos atentados contra o Chefe de Estado e o primeiro-ministro.


A realização de eleições antecipadas em Timor-Leste estava a ser discutida pelo Presidente do país, José Ramos-Horta, e os principais partidos políticos, antes de ocorrerem os atentados contra o Chefe de Estado e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

A notícia foi avançada pelo líder do PSD timorense, Mário Carrascalão, que se encontra em Lisboa desde 11 de Fevereiro, dia dos ataques.

O social-democrata afirmou à agência Lusa que o assunto de eleições antecipadas foi analisado numa reunião ocorrida a 7 de Fevereiro na residência do Presidente timorense com as principais forças políticas do país.

Conforme noticia o Diário Digital, Mário Carrascalão adiantou que o encontro acabou por tornar-se inconclusivo e que deveria ser seguido por mais «duas ou três reuniões», a fim de se cegar a um consenso.

Ramos-Horta operado pela quinta vez

Irmã do Presidente timorense afirma que intervenção «correu bem»

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, foi operado pela quinta vez, sendo que a intervenção cirúrgica, segundo referiu a irmã do Chefe de Estado, Romana-Horta, «correu bem», adiantando que os «médicos estão mais satisfeitos».

Em declações à agência Lusa, a irmã de Ramos-Horta referiu que os médicos fizeram «um transplante de pele da perna para tapar o buraco nas costas», causado pelos ferimentos dos ataques do passado dia 11.

Romana Horta acrescentou que os «médicos já taparam todos os ferimentos», mostrando-se agora «mais satisfeitos» quanto ao estado de saúde do Presidente timorense.

Conforme noticia o site da RTP, José Ramos-Horta deverá, agora, ser sujeito a uma traqueotomia para poder deixar o ventilador a que está ligado.

Os médicos australianos, que se têm mostrado confiantes na recuperação total de Ramos-Horta, admitem que o Chefe de Estado de Timor-Leste venha a ter alta hospital dentro de três semanas e uma recuperação total no prazo de seis meses.

Timor-Leste: Ramos-Horta e principais partidos ponderavam eleições antecipadas - Mário Carrascalão

** José Sousa Dias, da Agência Lusa **

Lisboa, 19 Fev (Lusa) - O cenário de eleições antecipadas em Timor-Leste estava a ser discutido pelos principais partidos políticos com Ramos-Horta, antes do duplo atentado de 11 deste mês, disse à Agência Lusa o líder do Partido Social Democrata (PSD) timorense.

Mário Carrascalão, que está em Lisboa praticamente desde o dia dos atentados ao Presidente e ao primeiro-ministro timorenses, José Ramos-Horta e Xanana Gusmão, adiantou em entrevista segunda-feira à Lusa, que o assunto foi analisado numa reunião ocorrida a 07 de Fevereiro na residência do chefe de Estado com as principais forças partidárias do país.

No entanto, disse Mário Carrascalão, o encontro acabou por tornar-se inconclusivo e deveria ser seguido por mais "duas ou três reuniões" para tentar obter um consenso, mas o duplo atentado, perpetrado quatro dias mais tarde, acabaria por as inviabilizar.

Segundo o líder do PSD timorense, a reunião foi precipitada por uma carta enviada pelo secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, ao secretário-geral das Nações Unidas, em que o antigo primeiro-ministro timorense pedia a Ban Ki-moon que pressionasse Ramos-Horta a antecipar eleições gerais.

"Ramos-Horta disse-me que, quando viu o conteúdo da carta (de Alkatiri a Ban Ki-moon), foi encontrar-se com o (Francisco) Lu Olo (Guterres, presidente da Fretilin) para falarem sobre a forma como levar isso para diante", afirmou Carrascalão, dando conta de uma conversa que manteve com o Presidente timorense na residência da sua irmã Gabriela, na noite de Natal de 2007.

O líder do PSD adiantou à Lusa que, nessa "conversa", Ramos-Horta lhe disse que Alkatiri estava a "insistir muito" para antecipar as eleições presidenciais e legislativas para 2009.

O chefe de Estado, recordou Mário Carrascalão, "disse que eleições antecipadas só com duas condições: uma, que o Presidente também seja eleito de novo, e, outra, que todos os partidos concordem." Ramos-Horta, adiantou o líder do PSD, não se recandidataria ao cargo.

"Disse-me que estava cansado e que era uma oportunidade boa para se esquivar da posição de Presidente" afirmou, lembrando que Ramos-Horta pretendeu, em vão, alterar a Constituição, de forma a dar um cariz presidencialista ao sistema político.

Segundo o líder do PSD, na reunião realizada em casa do Presidente timorense, o primeiro-ministro garantiu que a Aliança para uma Maioria Parlamentar (AMP, coligação de quatro partidos no poder) conseguiria, sozinha, resolver os problemas de Timor-Leste.

As condições para o fazer, disse, eram várias e, entre outras, tinham de garantir soluções para as questões dos deslocados, do major Alfredo Reinado, dos peticionários, das reformas na Justiça, Defesa, Segurança e Administração e da boa governação.

Quando chegou à reunião com Ramos-Horta, contou Carrascalão, já lá se encontrava cerca de uma dezena de dirigentes da Fretilin, entre eles "Lu Olo", Alkatiri, José Manuel Fernandes, Ana Pessoa, Arsénio Bano, Ilda Conceição e Cipriana Pereira.

"A dada altura, após uma hora de conversas mornas, o Presidente fez a conclusão e disse: `Bom, uma vez que o governo da AMP, sozinho, não está capacitado para resolver o problema, então vamos antecipar as eleições`", recordou Mário Carrascalão à Lusa.

O líder dos sociais-democratas prosseguiu a sua descrição da reunião: "Mas eu inquiri: `As conclusões do Presidente não condizem com as do primeiro-ministro.` Então, o Presidente virou-se para Xanana e disse: `Senhor primeiro-ministro, o que diz a isto?`"

Segundo Carrascalão, "Xanana respondeu: `Como primeiro-ministro tenho de dizer que somos capazes.` E Ramos-Horta acrescentou: `Eu, se fosse primeiro-ministro, também dizia que era capaz.`"

Ainda de acordo com o presidente do PSD, Ramos-Horta afirmou, depois: "Então ainda não estamos em completo entendimento. Vamos ter de fazer mais duas ou três reuniões."

Por fim, disse Carrascalão, a reunião ficou por aí: "Viemos embora e, depois, fiquei surpreendido com tudo o que se passou a seguir", com o duplo atentado contra Ramos-Horta, que está internado num hospital australiano em estado estável mas ainda grave, e Xanana, que escapou ileso. Reinado morreu baleado na residência do Presidente timorense.

Por outro lado, Carrascalão afirmou ver "com muita preocupação" as Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) receberem a missão de "ir à caça" do líder dos peticionários, major Gastão Salsinha, aliado de Reinado.

"Isto é que é a questão de fundo em Timor: Loromonu ou Lorosae", defendeu, numa alusão à crise de 2006, que opôs originários de oeste e de leste do território, inicialmente no seio das forças armadas e depois em actos de violência civil no país, sobretudo em Díli, provocando milhares de deslocados. "Quem pôs as F-FDTL na missão está a querer criar uma guerra civil. Quem tomou a decisão é um inconsciente. Se foi o primeiro-ministro então é um primeiro-ministro inconsciente", sustentou.

"Quem quer que seja que está por trás disto está a preparar alguma coisa em Timor-Leste e precisa de ser confrontado com alguma coragem. É preciso dizer a quem tomou a decisão que será responsabilizado por uma hipótese de guerra civil em Timor", sublinhou.

Andam a passar-se "coisas estranhas" no país, disse o líder do PSD, prometendo que, quando regressar a Díli, na próxima quarta-feira, vai averiguar as causas do duplo atentado em Timor-Leste.

"O ataque a Xanana Gusmão cheira-me a montagem de alguém que não sei quem é. Quem conhece aquela estrada, sabe que ninguém escapa a uma emboscada. Ninguém ficou ferido", afirmou.

Quanto ao atentado contra a Ramos-Horta, o líder do PSD defendeu que Reinado, a quem chama sempre Alfredo, "não queria assassinar" o Presidente, sustentando a tese de que alguém lhe montou uma "cilada".

"Não foi o Alfredo que quis assassinar o Horta, pois (o Presidente) era a sua única hipótese e (Reinado) sabia disso", sustentou.

"Para mim é uma cilada. Ramos-Horta estava a tentar modificar a situação em Timor. Tentava abrir uma porta para a solução dos problemas. Essa foi a razão por que Horta foi alvo. Não sei se dos australianos, se dos peticionários que estavam acantonados ou mesmo uma facção das F-FDTL. Qualquer uma destas três hipóteses é viável."

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Timor-Leste: Fretilin não iria reconhecer Governo de Xanana com acordo entre partidos

Díli, 19 Fev (Lusa) - A Fretilin não iria reconhecer o Governo de Xanana Gusmão com o acordo interpartidário que estava a ser promovido pelo Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje à agência Lusa o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri.

"De modo algum iríamos reconhecer o Governo. Iríamos sim cooperar com sentido de Estado para resolver os problemas que são de todos nós, que não são só problemas do Governo", afirmou Mari Alkatiri.

O líder da oposição e ex-primeiro-ministro identificou os problemas dos deslocados, de Alfredo Reinado (antes da sua morte) ou dos peticionários como "problemas do país, do Estado, que exigem que todos se juntem para resolver", posição que "não significa reconhecer o Governo".

Apesar de assumir que o acordo não implicava reconhecer o Executivo de Xanana Gusmão, Mari Alkatiri admite, contudo, que estaria disponível para uma eventual revisão da Constituição.

"Se há artigos (referentes à questão da formação do Governo) que não são claros para alguns podemos estudar isso para tornar cada vez mais claro", disse.

"A Constituição da República Democrática de Timor-Leste é para estar em vigor durante décadas ou séculos e por isso é bom que, se há artigos que criaram algum conflito, esses artigos sejam tornados claros", acrescentou Mari Alkatiri ao salintar que foi a Fretilin que escreveu o texto fundamental e que previa a sua revisão a partir de 2008.

Alkatiri confirma ainda a manifestação de vontade de Ramos-Horta em convocar eleições antecipadas para o Parlamento e chefia do Estado em 2009 e a necessidade de realizar mais algumas reuniões entre os partidos políticos para chegar a um acordo global de soluções para os problemas que afectam o país.

Nas declarações à agência Lusa, Mari Alkatiri subscreve também a posição revelada em Lisboa pelo líder do PSD, Mário Carrascalão, ao salientar ser uma "opção errada" entregar o comando das opções de captura do ex-tenente Gastão Salsinha e do seu grupo às Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

"Colocar as F-FDTL atrás do grupo do Salsinha vai fazer crescer o problema que já existia entre o grupo do Salsinha e as próprias F-FDTL o que significa que pode aprofundar a crise leste/oeste (lorosae/loromonu) de novo", afirmou.

O Governo timorense entregou domingo o comando das operações de busca e captura do grupo de Gastão Salsinha ao chefe do Estado-Maior General das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruakàs F-FDTL.

Alegadas discriminações no seio das F-FDTL a favor de naturais do leste do país estiveram na base da crise de 2006, que resultou no despedimento de cerca de 600 militares (os peticionários) pelo Governo então liderado por Mari Alkatiri, que acabou por deixar o cargo, e em confrontos que provocaram mais de 30 mortos e 150 mil desalojados.

Sobre o ataque a Xanana Gusmão, Mari Alkatiri sublinha parecer estar-se perante um "filme de ficção" porque, garante, numa "emboscada com espingardas-metralhadoras naquela curva, ninguém sairia vivo".

"Montagem! Quem o teria feito? Parece que estamos um pouco num filme de ficção", disse Mari Alkatiri ao recordar que nenhum dos veículos da comitiva do chefe do Governo tem alguma protecção especial de blindagem.

O líder da Fretilin continua também com dúvidas sobre os ataques de 11 de Fevereiro, explica que para si "não há ainda luz ao fundo do túnel" e que se fosse investigador, as "primeiras pessoas que iria questionar eram aqueles que estavam em casa de Ramos-Horta".

"Depois de ter sabido que o Alfredo (Reinado) tinha morrido uma hora antes (de Ramos-Horta ter sido ferido) tornou-se ainda mais estranho para mim", afirmou ao interrogar "quem, afinal, tentou matar José Ramos-Horta?".