sábado, 8 de março de 2008
Timor "caçará" líder rebelde caso Salsinha não se entregue
"Gastão Salsinha anda há dois anos a brincar conosco", afirmou o chefe do Estado-Maior-general das Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste (F-FDTL) em uma conferência de imprensa.
O brigadeiro-general Ruak falava aos jornalistas no final de uma sessão de apresentação da operação "Halibur" à comunidade diplomática e à sociedade civil timorense.
"Completam-se hoje quase quatro dias que o procurador-geral da República (Longuinhos Monteiro) está em negociações com Gastão Salsinha", disse Taur Matan Ruak.
"Ele não deve perder mais tempo. O procurador-geral regressa hoje a Dili se Salsinha não se entregar", explicou o CEMGFA timorense, destacando o ultimato ao líder do antigo grupo do major Alfredo Reinado.
"Estamos preparados para usar a força. Se Salsinha não se entregar, avançamos em conjunto com as Forças de Estabilização Internacionais (ISF)", acrescentou o brigadeiro-general Ruak.
Gastão Salsinha, líder dos peticionários das Forças Armadas em janeiro de 2006, passou a chefiar o grupo de fugitivos dos ataques de 11 de fevereiro à residência do presidente da República e da caravana do primeiro-ministro.
O ex-tenente aceitou quarta-feira à noite, nas montanhas de Ermera, um acordo para a rendição do seu grupo, num total de 32 homens.
"Depois, pediu mais tempo para reunir os seus homens", explicou hoje o brigadeiro-general Ruak.
"O melhor caminho é cooperar conosco. O que lhe damos é uma oportunidade para resolver o seu problema", disse também o CEMGFA.
"Não o quero morto. Quero-o vivo para ele contar o que andou a fazer nestes dois anos", respondeu Taur Matan Ruak quando questionado sobre os objetivos da operação "Halibur" a partir desta sexta-feira.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Timor-Leste: Salsinha pediu mais dois dias ao PGR para se render
Longuinhos Monteiro voltou a Díli ao final do dia, sem Gastão Salsinha, para explicar ao Presidente interino, ao Governo e ao Comando Conjunto da operação "Halibur" o resultado de quatro dias de contactos com o ex-tenente.
"Salsinha está a tentar o seu melhor para contactar ou convencer os últimos homens do seu grupo", afirmou Longuinhos Monteiro numa conferência de imprensa realizada às 19:00 (10:00 em Lisboa).
"Salsinha diz que tentaram um contacto com esses dois homens mas falhou. Outros dois elementos eu mesmo fui buscar a Suai (sudoeste) e Maliana (oeste)", declarou Longuinhos Monteiro.
O procurador-geral, rodeado por cerca de uma dúzia de homens fortemente armados, deu a conferência de imprensa no Palácio de Governo, na cadeira onde o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, fala normalmente aos jornalistas.
Longuinhos Monteiro manifestou o cansaço físico de "quatro dias no mato" em contactos permanentes com Gastão Salsinha e os seus enviados.
Quando questionado sobre o acordo de Letefoho (Ermera) para a rendição de Gastão Salsinha, quarta-feira à noite, o procurador perguntou a um elemento da PNTL "que dia é hoje?".
Longuinhos Monteiro não referiu que Gastão Salsinha faltou hoje aos encontros com o procurador-geral, um facto confirmado à Agência Lusa por fontes que acompanham os contactos das autoridades com o ex-tenente.
Gastão Salsinha, líder dos peticionários das Forças Armadas que abandonaram os quartéis em Fevereiro de 2006, lidera o grupo de fugitivos que atacou a residência do Presidente da República e a coluna de viaturas do primeiro-ministro, dia 11 de Fevereiro.
Questionado sobre se Gastão Salsinha tenciona entregar-se quando se cumpre um mês do duplo ataque, Longuinhos Monteiro respondeu "talvez".
Longuinhos Monteiro afirmou que Gastão Salsinha pretende "justiça para ele segundo o sistema legal", mas que ao mesmo tempo tentou colocar condições para a sua rendição.
"Durante a conversa, tivemos discussões, nomeadamente numas condições que é exagerado (pedir) e não posso aceitar, por não ser da minha competência", explicou Longuinhos Monteiro.
"A justiça funciona sem compromissos no nosso país", afirmou também o procurador-geral.
"A situação é dele. Ele é que vai decidir a sua vida e o seu futuro", resumiu Longuinhos Monteiro sobre os cenários possíveis a partir de segunda-feira.
O procurador-geral esclareceu também que "não está a negociar" com Salsinha, "apenas a canalizá-lo em segurança para a justiça".
Longuinhos Monteiro recusou comentar a decisão do Comando Conjunto da operação "Halibur" de avançar no terreno com "acções de persuasão", anunciada horas antes pelo brigadeiro-general Taur Matan Ruak.
O chefe do Estado-Maior-general das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) afirmou que "a brincadeira acabou hoje" e que forças timorenses e internacionais avançarão contra o ex-tenente Gastão Salsinha se ele não se entregar.
Taur Matan Ruak, que hoje apresentou os contornos, a estrutura e o centro de operações da operação "Halibur" à comunidade diplomática, afirmou que as acções no terreno contarão com as Forças de Estabilização Internacionais (ISF).
As ISF, que têm um contingente australiano e neozelandês de cerca de mil efectivos e meios aéreos, estacionou um pelotão perto da vila de Maliana.
Desde quinta-feira, três companhias de forças timorenses realizam uma operação coordenada a partir de Balibó, de Atabae e Tutubele.
Caso o grupo de Gastão Salsinha não se entregue, as forças conjuntas timorenses e as ISF poderão fechar o cerco aos fugitivos a partir de Balibó, Maliana e Ermera, explicou hoje o Estado-Maior timorense aos embaixadores e diplomatas que percorreram o Comando Conjunto instalado num centro de conferências em Díli.
"O melhor caminho para Salsinha é cooperar connosco. O que lhe damos é uma oportunidade para resolver o seu problema", disse o CEMGFA aos jornalistas.
"Não o quero morto. Quero-o vivo para ele contar o que andou a fazer nestes dois anos", respondeu Taur Matan Ruak quando questionado sobre os objectivos da operação "Halibur" a partir de hoje.
PRM.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-03-07 11:45:02
Deadline issued for E Timorese rebels

By Stephanie March
Posted 25 minutes ago
East Timor's government has issued a deadline for rebel soldiers involved in attacks on the country's leaders to hand themselves in.
East Timor's military commander, Taur Matan Ruak, says Gastao Salsinha must surrender to authorities by the end of the day or he will begin a joint operation with the international stabilisation forces to bring in the rebel leader.
He says Prosecutor General Longuinhos Monteiro spent the past four days in the mountains negotiating with Salsinha and that he cannot afford to waste any more of the Prosecutor General's time.
Of the 14 arrest warrants issued for those responsible for the February 11 attacks on the country's leaders, only two have been served.
Timor Leste: Está iminente a rendição de Gastão Salsinha.
SIC: Última actualização: 06-03-2008 10:20Gastão Salsinha deve render-se amanhã Líder dos rebeldes timorenses entrega as armas juntamente com 32 homens
Está iminente a rendição de Gastão Salsinha. O líder dos rebeldes e antigos militares das Forças Armadas timorenses está em negociações com o Comando Nacional Conjunto e deverá entregar as armas amanhã, segundo a agência Lusa
Filipe SilveiraJornalista
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Contactada pela SIC, fonte próxima de Xanana Gusmão garante que Salsinha pode entregar-se a qualquer momento, bastando para isso que haja acordo com as autoridades de Timor-Leste, que fazem parte do Comando Nacional Conjunto.
Para além de Gastão, outros 32 membros do grupo de rebeldes deverão apresentar a rendição. Trata-se do grupo de antigos militares que terá estado por trás do atentado contra Xanana Gusmão e Ramos-Horta.
Gastão Salsinha era procurado pelas autoridades desde os ataques de 11 de Fevereiro. Foi tenente das forças armadas e assumiu a liderança dos rebeldes timorenses, depois da morte do Major Alfredo Reinado.
Timor-Leste: Um porto Ramos Pinto para Ramos-Horta
João Ramos Pinto afirmou hoje à Agência Lusa que levará a José Ramos-Horta um "tawny" de 20 anos, Bom Retiro, da casa Ramos Pinto, fundada pela sua família.
José Ramos-Horta, ferido com gravidade a 11 de Fevereiro num ataque à sua residência em Díli, continua em recuperação no Hospital Particular de Darwin, de onde poderá sair dentro de alguns dias para uma residência privada.
Na sua primeira declaração à imprensa, há duas semanas, desde o atentado de que foi vítima, José Ramos-Horta afirmou à Lusa que gostaria de receber em Darwin "uma garrafa de bom vinho do porto" e pastéis de Belém.
O porto, com votos de recuperação rápida do Presidente timorense, será levado pelo embaixador João Ramos Pinto, que viaja sexta-feira para Darwin e tem o encontro com José Ramos-Horta agendado para sábado de manhã.
José Ramos-Horta tem recebido várias visitas de amigos e titulares políticos, incluindo o Presidente interino, Fernando "La Sama" de Araújo, os dois ex-primeiros-ministros timorenses, Mari Alkatiri e Estanislau da Silva, e o chefe da missão da ONU em Timor-Leste, Atul Khare.
José Ramos-Horta recebeu também os votos de boa recuperação do Presidente George W. Bush dos Estados Unidos da América.
"A força que você mostrou diante do ataque contra si e contra a democracia timorense é testemunha do seu compromisso com um futuro melhor", afirmou o Presidente norte-americano, citado por um comunicado da Presidência timorense emitido em Darwin.
"Os médicos estão muito satisfeitos com a recuperação do Presidente", acrescentou o comunicado.
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-03-06 13:35:02
Líder rebelde do Timor Leste deve se entregar nesta sexta
Gastão Salsinha, líder dos ex-militares que se rebelaram em janeiro de 2006, concordou em entregar-se às autoridades timorenses, com o seu grupo, depois de uma reunião em Letefoho, distrito de Ermera, quarta-feira à noite (início da manhã no Brasil).
Fontes judiciais afirmaram, entretanto, que mais cinco mandatos de captura foram hoje emitidos para suspeitos de envolvimento no duplo ataque de 11 de fevereiro contra o presidente da República e a caravana do primeiro-ministro.
Passa assim para 13 o número de mandatos de captura, dois dos quais já cumpridos com a rendição às autoridades de Amaro da Costa, conhecido por Kaer Susar, e de Domingos Amaral.
Fontes militares e internacionais em Dili afirmaram à Lusa que o acordo para a entrega de 32 homens e 18 armas foi atingido "em conversações diretas" com Gastão Salsinha, que envolveram a Procuradoria-Geral da República.
Longuinhos Monteiro, o procurador-geral timorense, deslocou-se à frente de uma delegação para o distrito de Ermera (sudoeste de Dili), quarta-feira, chegando ao fim do dia à área onde se encontra Gastão Salsinha.
A reunião direta das autoridades timorenses com Gastão Salsinha, quarta-feira à noite, concluiu três dias de negociações intensas, "através de vários canais e de mensagens trocadas por diferentes intermediários" com o ex-tenente e dele com o seu grupo, segundo as mesmas fontes.
Gastão Salsinha chefia o grupo de homens que acompanhavam antes o major Alfredo Reinado e que atacaram a residência de José Ramos-Horta e a caravana de Xanana Gusmão.
O major Reinado morreu no ataque à residência de José Ramos-Horta e os fugitivos são procurados em uma operação conjunta das Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste (F-FDTL) e da Polícia Nacional (PNTL).
O acordo para a entrega do grupo e das armas, cujos detalhes seriam finalizados hoje, prevê a rendição de um grupo de 28 homens no distrito de Ermera, incluindo Gastão Salsinha, e de mais quatro elementos, que serão trazidos hoje do distrito de Suai (sudoeste do país).
A Polícia das Nações Unidas (UNPol) deverá proceder ao transporte do grupo de fugitivos para Dili, "uma vez que Gastão Salsinha não quer qualquer intervenção das F-FDTL nisso", segundo uma fonte militar.
Rodolfo Tor, comissário da UNPol, não comentou o envolvimento das Nações Unidas no cumprimento do acordo com Gastão Salsinha mas afirmou que as forças da missão internacional "estão prontas" se for necessário.
"Até agora a UNPol não esteve envolvida (na rendição de Gastão Salsinha) mas estamos prontos para assistir quando formos chamados", afirmou Rodolfo Tor na conferência de imprensa semanal da Missão Integrada das Nações Unidas no Timor Leste (UNMIT).
Essa prontidão abrange "a escolta, a detenção ou a proteção" aos elementos procurados pelas autoridades, explicou o chefe da UNPol.
A situação continua calma, sem nenhum dispositivo militar especial visível nas vilas de Ermera e de Gleno.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, foi transferido para o Hospital Particular
José Ramos-Horta saiu da unidade de cuidados intensivos do Hospital Real de Darwin pelas 17h00 locais, e foi transferido para o Hospital Particular, que fica situado mesmo ao lado do hospital onde se encontrava desde que foi evacuado de Timor-Leste.
José Ramos-Horta recebeu este fim-de-semana as visitas do Presidente da Assembleia Nacional timorense e Presidente da República interino, Fernando "La Sama" de Araújo", do secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, do deputado e dirigente da Fretilin, Estanislau da Silva e do chefe da missão da ONU em Timor-Leste, Atul Khare.
Fernando "La Sama" de Araújo, que esteve reunido durante mais de duas horas com José Ramos-Horta, informou à saída da reunião que o mais alto magistrado timorense e Prémio Nobel da Paz está "a recuperar muito bem" e que se encontra "muito lúcido".
“O presidente está muito lúcido mostrando as suas inquietações relativamente ao seu país e a sua responsabilidade enquanto chefe de Estado”, afirmou “La Sama” de Araújo aos jornalistas à saída do hospital.
A equipa médica que acompanha o evoluir do estado de saúde do Presidente da República de Timor-Leste já informou que este deverá permanecer mais algumas semanas hospitalizado para uma recuperação total dos ferimentos de bala que sofreu durante os ataques de dia 11 de Fevereiro.
O chefe de Estado timorense foi gravemente ferido num tiroteio junto à sua residência em Díli por homens comandados pelo Major Alfredo Reinado - morto - e foi evacuado para Darwin poucas horas após o ataque, a 11 de Fevereiro, após uma primeira intervenção em Timor.
RTP
Gastão Salsinha rendeu-se
De acordo com Gino Neves, Gastão Salsinha entregou-se juntamente com seis outros homens, encontrando-se já todos nas instalações da Polícia Militar.
Rebelde se entrega no Timor e admite participar de atentado
A rendição de Susar foi anunciada em entrevista coletiva pelo Comando Conjunto da operação "Halibur", para a captura dos responsáveis pelo duplo ataque de 11 de fevereiro contra o chefe de Estado e o primeiro-ministro timorenses.
Susar chegou apenas cerca de 15 minutos antes ao centro de conferências onde funciona o Comando Conjunto, transportado pela Polícia Nacional a partir da aldeia de Turiscai, distrito de Manufahi, sudoeste do país.
O rebelde admitiu aos jornalistas que tomou parte na operação à residência de Ramos-Horta, com o grupo chefiado pelo major Alfredo Reinado, morto no ataque. "Sim, participei. Estava ao portão [da residência]", afirmou Kaer Susar na breve entrevista à imprensa.
Susar se rendeu com duas armas, uma AL 33 e um FNC, que afirmou terem sido usadas no ataque ao chefe de Estado.
Captura
O tenente-coronel Filomeno Paixão, 1º comandante da operação "Halibur", que apresentou Kaer Susar e as armas apreendidas, manifestou "a profunda gratidão" do Comando Conjunto a Susar "pela sua cooperação, ao optar pela via pacífica para a resolução dos seus e dos nossos problemas".
O oficial das Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste agradeceu também ao ex-presidente timorense Francisco Xavier do Amaral, proclamador da independência do país em 1975, pela ajuda na rendição de Susar.
Kaer Susar e o líder da Associação Social Democrática Timorense (ASDT), Francisco Xavier do Amaral, são naturais de Turiscai. O ex-integrante do grupo de Alfredo Reinado contatou o antigo presidente antes de se entregar.
"Continuamos a dar tempo ao grupo de Gastão Salsinha para reconsiderar na sua postura e tomar uma decisão correta e pacífica na busca de solução para o seu caso", afirmou o tenente-coronel Filomeno Paixão.
O ex-tenente Gastão Salsinha liderou o grupo que atacou a comitiva onde seguia o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, e passou a chefiar o grupo de Alfredo Reinado desde a morte do major.
Ramos-Horta perdoou agressor, diz presidente interino
Em comunicado oficial, La Sama de Araújo escreveu que Ramos-Horta "perdoa ao falecido Alfredo Reinado e pede ao governo que apóie a sua família".
No sábado, o chefe de Estado interino visitou o presidente timorense no Real Hospital de Darwin. José Ramos-Horta foi atingido com gravidade durante um ataque à sua residência em Díli liderado pelo major Alfredo Reinado, em que o militar fugitivo perdeu a vida.
"O presidente está muito lúcido, mostrando a sua preocupação pelo país e a responsabilidade do chefe de Estado", disse La Sama de Araújo em texto divulgado neste domingo.
José Ramos-Horta pediu ao líder interino uma investigação detalhada ao duplo ataque de 11 de fevereiro, de que também foi alvo o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
Com a morte de Alfredo Reinado, o grupo rebelde passou a ser liderado pelo ex-tenente Gastão Salsinha, que continua foragido.
Captura
Neste domingo, em Díli, o Comando Conjunto da operação "Halibur" anunciou a entrega de Kaer Susar, um dos elementos mais importantes do antigo grupo de Reinado.
Pouco depois de chegar à capital do país, Susar admitiu aos jornalistas que participou no ataque ao presidente timorense e que "estava ao portão" da residência.
Susar se entregou às autoridades em Turiscai, Manufahi, com a colaboração do ex-presidente Francisco Xavier do Amaral, natural da mesma aldeia, que depois fez o contato com o Comando Conjunto da operação "Halibur".
O ex-premiê e secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, também visitou José Ramos-Horta em Darwin neste fim-de-semana, acompanhado de outro ex-chefe de governo, o deputado Estanislau da Silva.
Segundo Alkatiri, Ramos-Horta afirmou ter reconhecido o autor dos disparos que o atingiram, um elemento do grupo de Alfredo Reinado.
Premiê do Timor afirma que aquartelamento é 'meio-sucesso'
"É um meio-sucesso na medida em que ainda vamos ver como resolvemos os problemas dos peticionários", afirmou o primeiro-ministro no final de uma visita ao campo de Aitarak Laran, onde os ex-agentes estão reunidos, na capital Díli.
Por proposta do governo, os peticionários das Forças Armadas iniciaram o aquartelamento em Díli em 7 de fevereiro, dois anos depois da petição que motivou a sua saída dos quartéis e a sua expulsão da instituição militar.
Xanana Gusmão lembrou ainda que o processo de aquartelamento teve início em dezembro de 2007, a partir de negociações com os peticionários, então liderados pelo ex-tenente Gastão Salsinha.
Resultados
O premiê timorense ressaltou que a iniciativa já recebeu "quase todos" os 592 signatários da petição que, em 2006, alegou discriminação de base regional no interior das Forças Armadas.
"Pedi-lhes para cada um pensar no dever que tem para contribuir para uma solução, em vez de terem apenas a percepção do seu direito", disse Xanana Gusmão, acrescentando que no país falta "muitas vezes é a percepção de que cada um tem direitos e deveres".
Xanana Gusmão anunciou aos peticionários que na próxima semana começarão a ter várias atividades no campo de Aitarak Laran. "Esperemos que até ao fim da semana tenhamos já uma luz sobre a solução para o caso de todos eles", afirmou.
O primeiro-ministro se recusou comentar as hipóteses de rendição de Gastão Salsinha, que comanda o grupo antes liderado pelo major Alfredo Reinado.
O oficial rebelde esteve à frente do ataque contra o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, em 11 de Fevereiro, morreu na residência do chefe de Estado. Ainda no mesmo dia, Gastão Salsinha liderou um ataque à comitiva do premiê, que escapou ileso.
sábado, 1 de março de 2008
Timor-Leste: Ramos Horta "conhece quem disparou" sobre ele

01-03-2008 10:00
O Presidente timorense "conhece o homem que disparou sobre ele, um elemento do grupo de Alfredo Reinado, embora não saiba o nome".
A informação foi avançada à Lusa por Mari Alkatiri após visitar Ramos Horta, que continua hospitalizado no Hospital Real de Darwin, a recuperar do ataque de que foi alvo em Díli a 11 de Fevereiro.
"O Presidente viu quem atirou sobre ele", afirmou o secretário-geral da Fretilin, contactado por telefone em Darwin.
"É um elemento do grupo de Alfredo Reinado de quem ele não sabe o nome, mas de quem ele conhece a cara, dos encontros que teve com Reinado", acrescentou Mari Alkatiri, repetindo o que lhe contou hoje José Ramos Horta.
Segundo o dirigente da Fretilin, o Presidente "está bem disposto, fisicamente muito magro, mas intelectualmente muito lúcido".
Ramos-Horta acompanha situação em Díli
O Presidente liderou, desde a sua eleição em Maio de 2007, o processo negocial que visava a resolução do problema de Alfredo Reinado, principal rosto da crise política e militar de 2006, acusado de crimes de homicídio, rebelião contra o Estado e posse ilegal de material de guerra.
A referência ao autor dos disparos de que foi alvo José Ramos Horta "foi a única vez que o nome de Alfredo Reinado foi pronunciado durante a conversa de hoje", explicou Alkatiri.
"Foi uma visita de amigos. Eu disse ao presidente que não estava em Darwin para discutir assuntos políticos. Isso fica para depois do seu regresso às funções", acrescentou.
Segundo Alkatiri, o Presidente quer acompanhar cada vez mais o que se passa em Timor-Leste e está completamente consciente do que se passa em Díli. No entanto, as informações sobre a situação actual foram prestadas antes pelo Presidente interino", Fernando 'La Sama" de Araújo.
Mari Alkatiri foi portador de uma mensagem do Primeiro-ministro, Xanana Gusmão, que enviou "um abraço" ao chefe de Estado em convalescença.
Cx/Lusa
Timor-Leste: "La Sama" e Alkatiri visitam Ramos-Horta
O chefe de Estado timorense recebe também a visita de Atul Khare, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor-Leste.
Mari Alkatiri declarou hoje à agência Lusa que vai a Darwin "visitar um velho amigo e velho camarada".
O ex-primeiro-ministro timorense, agora líder da oposição, afirmou que "é uma coincidência" que o Presidente interino viaje para Darwin no mesmo dia.
José Ramos-Horta foi atingido a tiro a 11 de Fevereiro, durante um ataque à sua residência em Díli.
Nesse mesmo dia foi transferido para o Hospital Real de Darwin, onde foi assistido e continua a recuperação.
O Presidente da República saiu hoje alguns minutos da unidade de cuidados intensivos, em cadeira-de-rodas, para o corredor do hospital, afirmou a sua irmã Romana Horta, contactada por telefone pela Lusa a partir de Díli.
José Ramos-Horta "já comeu melhor hoje. Está a recuperar bem mas continua a sentir dores das feridas", acrescentou Romana Horta.
PRM
Lusa/Fim
Número de rebeldes aquartelados no Timor sobe para 550
Segundo o representante do Executivo de Dili, nesta sexta-feira a região de aquartelamento da capital timorense recebeu mais 20 ex-oficiais, conhecidos como peticionários, "que se vêm juntar aos 530 que já se encontravam ali".
O processo de aquartelamento, iniciado em 7 de fevereiro, trouxe a Dili centenas de peticionários das Forças Armadas nos últimos dias.
"Da parte da manhã chegaram dez peticionários, com um segundo grupo de igual número a fazer a viagem para Dili de tarde. Na sua maioria, os peticionários que chegaram hoje a Aitarak Laran são provenientes de Ermera", disse Pereira.
Peticionários
O aquartelamento dos chamados peticionários foi acelerado esta semana pela operação "Halibur" para a captura do ex-tenente Gastão Salsinha, o oficial mais graduado entre os 592 signatários de uma petição levada ao presidente timorense em fevereiro de 2006.
Os signatários da petição alegavam discriminação dentro das Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste (F-FDTL), contra os militares originários dos distritos ocidentais, ou "loromonu".
Depois de saírem dos quartéis e de serem expulsos das F-FDTL, em março de 2006, a situação dos peticionários arrastou-se durante quase dois anos, com o major fugitivo Alfredo Reinado reivindicando a "causa" dos antigos militares.
A iniciativa para recolher os peticionários foi proposta pelo governo, a partir de 7 de fevereiro, e acelerou-se após a morte de Alfredo Reinado no ataque à residência do presidente timorense, José Ramos-Horta, quatro dias depois, e à fuga de Gastão Salsinha com o que restava do seu grupo.
O chefe do Estado-Maior, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, agradeceu nesta sexta-feira aos peticionários aquartelados em Aitarak Laran e pediu para Gastão Salsinha "se juntar aos camaradas e amigos" que já se encontram em Dili.
Justiça do Timor Leste revoga prisão preventiva de rebeldes
O líder rebelde Alfredo Reinado, um dos responsáveis pelo levante militar de 2006 no Timor Leste, respondia por homicídio, rebelião e posse ilegal de material de guerra junto a outras 17 pessoas.
Cinco dos acusados foram ouvidos nesta sexta-feira pelo juiz responsável pelo caso. Todos estavam foragidos desde 30 de agosto de 2006, mas se entregaram às autoridades esta semana.
Após o interrogatório, o magistrado optou por revogar a prisão preventiva que havia decretado anteriormente.
A rendição voluntária e pacífica dos cinco membros do grupo de Alfredo Reinado aconteceu na semana em que a maioria dos rebeldes das Forças Armadas entrou no aquartelamento de Aitarak Laran, em Dili.
"O tribunal entendeu que as circunstâncias que permitiram, na altura, a medida de prisão preventiva mudaram, isto é, com a morte de seu líder Alfredo Reinado, as coisas mudaram completamente", explicou o procurador Felismino Cardoso.
A revogação da medida de prisão preventiva gerou um despacho idêntico do juiz, aplicado a outros dois rebeldes que já estavam detidos. As prisões haviam sido feitas após o cerco a Alfredo Reinado na vila de Same, em março de 2007.
Os dois homens presos em 2007 foram os únicos presentes nas duas audiências de julgamento realizadas até agora. A próxima estava marcada para 4 de março, mas foi adiada para 2 de abril a fim de que, na seqüência da notificação dos acusados, os prazos de contestação possam ser cumpridos.
Os rebeldes detidos deixam a prisão nesta sexta.
Já os cinco ouvidos no Tribunal de Recurso foram conduzidos a Aitarak Laran por oficiais da Polícia das Nações Unidas, "mas estão livres para sair de lá para onde quiserem", explicou o procurador Felismino Cardoso.
Os cinco membros do ex-grupo de Alfredo Reinado afirmaram não ter participado dos ataques contra o presidente do país, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, em 11 de fevereiro (noite do dia 10 no Brasil).
Com a morte de Alfredo Reinado e de Leopoldino Mendonça Exposto, em 11 de fevereiro, continuam foragidas oito pessoas.

